domingo, 8 de janeiro de 2017

Paracletologia (doutrinado Espírito Santo)



PNEUMATOLOGIA (DOUTRINA DO ESPÍRITO SANTO

É o estudo dos elementos teológicos que se constituem na sistematização da Doutrina do Espírito Santo.




DATA
AULA Nº
PNEUMATOLOGIA

1
Conhecendo os Alunos – Introdução – A Doutrina da Trindade

2
A Natureza e Atuação do Espírito Santo

3
A Divindade do Espírito Santo

4
A Processão do Espírito Santo – Tipos e Ilustrações do E. S.

5
A Obra do Espírito Santo no Antigo Testamento

6
A Obra do Espírito Santo na Revelação e Inspiração

7
A Obra do Espírito Santo na Vida de Cristo

8
A Obra do Espírito Santo na Salvação

9
PROVA 1

10
A Obra do Espírito Como Consolador

11
Batismo no Espírito Santo

12
Plenitude do Espírito

13
Os Dons do Espírito

14
Os Nove Dons Espirituais de 1 Co 12.8-10

15
O Fruto do Espírito

16
Pecados Contra o Espírito Santo


A Atuação do Espírito Santo no Reino Vindouro


PROVA 2















INTRODUÇÃO

A – ETIMOLOGIA
Pneumatologia – Do grego pneumatos (significa espírito) + logos (significa revelação, palavra). O termo significa doutrina do Espírito Santo.



B – A DOUTRINA DA TRINDADE NA HISTÓRIA (Berkhof)
A doutrina da trindade sempre enfrentou dificuldades e, portanto, não é de admirar que a igreja, em seus esforços para formulá-la, tenha sido repetidamente tentada a racionalizá-la e a dar-lhe uma construção que deixava de fazer justiça aos dados da Escritura.

B1 – PERÍODO DA PRÉ-REFORMA.
Os judeus do tempo de Jesus davam muita ênfase à unidade de Deus, e esta ênfase foi trazida para dentro da igreja cristã. O resultado foi que alguns eliminaram completamente as distinções pessoais da Divindade, e que outros não fizeram plena justiça à divindade essencial da segunda e da terceira pessoas da Trindade Santa.
Tertuliano - foi o primeiro a empregar o termo “Trindade” e a formular a doutrina, mas a sua formulação foi deficiente, desde que envolvia uma infundada subordinação do Filho ao Pai.
Orígenes - foi mais longe nesta direção, ensinando explicitamente que o Filho é subordinado ao Pai quanto à essência, e que o Espírito Santo é subordinado até mesmo ao Filho. Ele desacreditou a divindade essencial destas duas pessoas do Ser Divino e forneceu um ponto de partida aos arianos.
Arianos - negavam a divindade do Filho e do espírito Santo, apresentando o Filho como a primeira criatura do Pai, e o Espírito Santo como a primeira criatura do Filho. Assim, a consubstancialidade do Filho e do Espírito Santo com o Pai foi sacrificada, com o fim de preservar a unidade; e, segundo esse conceito, as três pessoas da Divindade diferem em grau de dignidade. Os arianos ainda conservaram resquícios da doutrina das três pessoas da Divindade, mas esta foi inteiramente sacrificada pelo monarquianismo.
Monarquianismo – A divindade e pessoalidade do Espírito Santo foram negadas por Sabellius no terceiro século desta era e deu origem ao movimento chamado monarquismo. Sabellius sustentava que não existiam três pessoas na deidade, mas um só Deus que se manifestava em três formas diferentes (modalismo). A doutrina das três pessoas da Divindade foi sacrificada em parte no interesse da unidade de Deus e em parte para manter a divindade do Filho.
·         O monarquianismo dinâmico via em Jesus apenas homem e no espírito Santo uma influência divina. Jesus se tornou o Cristo após o batismo, ao se tornar habitação do Cristo.
·         O monarquianismo modalista considerava o Pai, o Filho e o Espírito Santo meramente como três modos de manifestação assumidos sucessivamente pela Divindade.
Pneumatomaquianos – São chamados de pneumatômacos (= adversários do Espírito Santo). Também chamados macedônios, em referência ao bispo Macedônio[1], opunham-se à divindade do Espírito Santo, isto foi no final do século IV Por outro lado, também houve alguns que a tal ponto perderam de vista a unidade de Deus, que acabaram no triteísmo.
A igreja começou a formular a sua doutrina da Trindade no século quarto. O Concílio de Nicéia (325 A.D.) declarou que o Filho é co-essencial com o Pai, enquanto que o Concílio de Constantinopla (381 A.D.) afirmou a divindade do Espírito, embora não com a mesma precisão. Quanto à interrelação dos três, foi oficialmente declarado que o Filho é gerado pelo Pai, e que o Espírito procede do Pai e do Filho. No Oriente, a doutrina da Trindade encontrou a sua proposição mais completa na obra de João de Damasco, e no Ocidente, na grande obra de Agostinho, De Trinitate. A primeira ainda retém um elemento de subordinação, inteiramente eliminado pela segunda.

B2 – PERÍODO DA REFORMA

Socinianos – Durante a reforma, os socinianos, baseados nas idéias de Lélio Socínio, propagadas por seu sobrinho Fausto Socínio, consideram que em Deus há uma única pessoa e que Jesus Cristo é um homem comum
Unitarianismo – (Os irmãos que negam a trindade) – O unitarianismo foi inicialmente uma manifestação dentro da reforma protestante, o intelectual espanhol Miguel de Servetto discordou da doutrina da Trindade e publicou vários livros a este respeito dando início às primeiras igrejas unitárias, os anabatistas. Este unitarismo pode se manifestar como uma forma de modalismo, ou seja, Deus é um só que se manifesta de várias formas ao longo da história, ou ainda pode também considerar Deus como uma só pessoa que é o pai de Jesus, um homem que foi elevado à divindade no seu batismo, ou ainda uma forma de arianismo. Esta vertende existe até hoje e não há uma definição única em sua manifestação.

B3 – PERÍODO DA PÓS-REFORMA.
Depois da Reforma não temos maior desenvolvimento da doutrina da Trindade, mas o que encontramos repetidamente são algumas das errôneas formulações antigas.


C – DEUS COMO TRINDADE EM UNIDADE
A palavra “Trindade” não é tão expressiva, pois pode simplesmente denotar o estado tríplice (ser três), sem qualquer implicação quanto à unidade dos três. Geralmente se entende, porém, que, como, termo técnico na teologia, inclui essa idéia. Mesmo porque, quando falamos da Trindade de Deus, nos referimos a uma trindade em unidade, e a uma unidade que é trina.

C1 – A PERSONALIDADE DE DEUS E A TRINDADE.
Os atributos comunicáveis de Deus salientam a Sua personalidade, desde que O revelam como um Ser moral bem como racional. Sua vida se nos apresenta claramente na Escritura como uma vida pessoal; e naturalmente, é da maior importância sustentar a verdade da personalidade de Deus, pois, sem ela não pode haver religião no real sentido da palavra: nem oração, nem comunhão pessoal, nem entrega confiante, nem confiante esperança. Visto que o homem foi criado à imagem de Deus, podemos compreender algo da vida pessoal de deus pela observação da personalidade como a conhecemos no homem.
Contudo, precisamos ter o cuidado de não estabelecer a personalidade humana como padrão pelo qual avaliar a personalidade de Deus.A forma original da personalidade não está no homem, mas em Deus.

C2 – PROVA BÍBLICA DA DOUTRINA DA TRINDADE.
A doutrina da Trindade depende decisivamente da revelação. É verdade que a razão humana pode sugerir algumas idéias para consubstanciar a doutrina, e que os homens, fundados em bases puramente filosóficas, por vezes abandonaram a idéia de uma unidade nua e crua em Deus, e apresentaram a idéia do movimento vivo e de auto-distinção. Também é verdade que a experiência cristã parece exigir algo parecido com esta construção da doutrina de Deus. Ao mesmo tempo, é uma doutrina que não teríamos conhecido, nem teríamos sido capazes de sustentar com algum grau de confiança, somente com base na experiência, e que foi trazida ao nosso conhecimento unicamente pela auto-revelação especial de Deus. Portanto, é de máxima importância reunir suas provas escriturísticas.

·         Provas do Velho Testamento.
Alguns dos primeiros pais da igreja, assim chamados, e mesmo alguns teólogos mais recentes, desconsiderando o caráter progressivo da revelação de Deus, opinaram que a doutrina da Trindade foi revelada completamente no Velho Testamento. Por outro lado, o socinianos e os arminianos eram de opinião que não há nada desta doutrina ali. Tanto aqueles como estes estavam enganados. O Velho Testamento não contém plena revelação da existência trinitária de Deus, mas contém várias indicações dela. É exatamente isto que se poderia esperar. A Bíblia nunca trata da doutrina da Trindade como uma verdade abstrata, mas revela a subsistência trinitária, em suas várias relações, como uma realidade viva, em certa medida em conexão com as obras da criação e da providência, mas particularmente em relação à obra de redenção.
Têm-se visto, por vezes, provas da Trindade no Plural Elohim. É plausível entender que as passagens em que Deus fala de Si mesmo no plural, Gn 1.26; 11.7, contêm uma indicação de distinções pessoais em Deus, conquanto não surgiram uma triplicidade, mas apenas uma pluralidade de pessoas. Indicações mais claras dessas distinções pessoais acham-se nas passagens que se referem ao Anjo de Jeová que, por um lado, é identificado com Jeová e, por outro, distingue-se dele. Ver Gn 16.7-13; 18.1.21; 19.1-28; Ml 3.1. E também nas passagens em que a Palavra e a Sabedoria de Deus são personificadas, Sl 33.4, 6; Pv 8.12-31. Em alguns casos mencionam-se mais de uma pessoa, Sl 33.6; 45.6, 7 (com. Hb 1.8,9), e noutros quem fala é Deus, que menciona o Messias e o Espírito, ou quem fala é o Messias, que menciona Deus e o Espírito, Is 48.16; 61.1; 63. 9,10. Assim, o Velho Testamento contém clara antecipação da revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento.

·         Provas do Novo Testamento.
O Novo Testamento traz consigo uma revelação mais clara das distinções da Divindade.
Ø  Se no Velho Testamento Jeová é apresentado como o Redentor e Salvador do Seu povo, Jó 19.25; Sl 19.14; 78.35; 106.21; Is 41.14; 43.3, 11, 14; 47.4; 49.7, 26; 60.16; Jr 14.3; 50.14; Os 13.3, no Novo Testamento é o Filho de Deus que é apresentado Mt 1.21; Lc 1.76-79; 2.17; Jo 4,42; At 5.3; Gl 3.13; 4.5; Fl 3.30; Tt 2.13, 14.
Ø  Se no Velho Testamento é Jeová que habita em Israel e nos corações dos que O temem, Sl 74.2; 135.21; Is 8.18; 57.15; Ez 43.7-9; Jl 3.17, 21; Zc 2.10, 11, no Novo testamento é o Espírito Santo que habita na igreja, At 2.4; Rm 8.9, 11; 1 Co 3.16; Gl 4.6; Ef 2.22; Tg 4.5.
Ø  O Novo Testamento oferece clara revelação de Deus enviando Seu filho ao mundo, Jo 3.16; Gl 4.4; Hb 1.6; 1 Jo 4.9; e do Pai e Filho enviando o Espírito, Jo 14.26; 15.26; 16.7; Gl 4.6.
Ø  Vemos o pai dirigindo-se ao Filho, Mc 1.11; Lc 3.22, o Filho comunicando-se com o Pai, Mt 11.25, 26; 26.39; Jo 11.41; 12.27, 28, e o Espírito Santo orando a Deus nos corações dos crentes, Rm 8.26.
Ø  As pessoas da Trindade, separadas, são expostas com clareza às nossas mentes.
§  No batismo do Filho, o pai fala, ouvindo-se do céu a Sua voz, e o Espírito Santo desce na forma de pomba, Mt 3.16, 17.
§  Na grande comissão Jesus menciona as três pessoas: “batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, Mt 28.19.
§  Também são mencionadas juntamente em 1 Co 12. 4-6; 2 Co 13.13; e 1 Pe 1.2.


D – A IGREJA CONFESSA QUE A TRINDADE É UM MINISTÉRIO QUE TRANSCENDE A COMPREENSÃO DO HOMEM
A Trindade é um mistério, não somente no sentido bíblico de que se trata de uma verdade anteriormente oculta e depois revelada, mas também no sentido de que o homem não pode compreendê-la e não pode torná-la inteligível. É inteligível em algumas de suas relações e de seus modos de manifestação, mas é ininteligível em sua natureza essencial. Os numerosos esforços feitos para explicar o mistério foram especulativos, e não teológicos. Invariavelmente redundaram no desenvolvimento de conceitos triteístas ou modalistas de Deus, na negação ou da unidade da essência divina ou da realidade das distinções pessoais dentro da essência. A real dificuldade está na relação em que as pessoas da Divindade estão com a essência divina e uma com as outras; e esta é uma dificuldade que a igreja não é capaz de remover, podendo apenas tentar reduzi-la a suas apropriadas proporções mediante uma apropriada definição de termos. Ela jamais tentou explicar o mistério da Trindade, mas procurou somente formular a doutrina de modo que fossem evitados os erros que a ameaçam.


E – A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO SOBRE O ESPÍRITO SANTO
O estudo do Espírito Santo de Deus é importante devido a Quem Ele é, o que Ele fez e ainda fará.
1)      Sua Pessoa - O Espírito Santo é Deus e aquilo que se conhece verdadeiramente de Deus é o alicerce da religião.
2)      Sua Obra - Enquanto o mundo parece somente associar o Espírito Santo ao fanatismo religioso, Ele se mantém ativo em todas as áreas da vida. Ele é o Criador, também trabalha na providência, na natureza, na política, nos talentos humanos, na salvação e no crescimento espiritual. Ele inspirou a Bíblia e agora ilumina as nossas mentes para que possamos entendê-la.

Sua vinda ao mundo era tão necessária para a nossa salvação quanto a vinda de Cristo. Sem o Espírito nossa religião é vazia e não temos prova de nossa salvação (Romanos 8:9). O Espírito Santo nos dá vida física, espiritual e ressurreta (Jó 33:4; João 3:5; Romanos 8:11). O Espírito Santo é o autor de tudo que é bom e agradável em nossa existência (Gálatas 5:19-22).


O ESPÍRITO SANTO

A tarefa do Espírito Santo é a manifestação da presença ativa de Deus no mundo, especialmente na igreja. Esta definição indica que o Espírito Santo é o membro da Trindade que as Escrituras representam mais frequentemente como estar presente para fazer a obra de Deus no mundo. Enquanto isto é verdade até certo ponto em todas as Escrituras, é particularmente verdadeiro no que diz respeito à nova aliança. No Antigo Testamento, a presença de Deus apareceu muitas vezes na glória de Deus e nas teofanias. Nos Evangelhos, Jesus mesmo disse que era à presença de Deus entre os homens. Mas, depois da ascensão de Jesus ao céu, e continuando ao longo da era da igreja, o Espírito Santo é hoje a principal manifestação da presença da Trindade entre nós. Ele é o único que é proeminente presente entre nós agora.
Ao passarmos da cristologia para o soteriologia, passamos do objetivo para o subjetivo, da obra que Deus realizou por nós em Cristo e que é, em seu aspecto sacrificial, uma obra concluída, para a obra que Ele (Espírito Santo) realiza no correr do tempo nos corações e nas vidas dos crentes.
A Escritura nos ensina a reconhecer certa economia na obra da criação e redenção e autoriza o que falamos do Pai e da nossa criação, do filho e da nossa redenção, e do Espírito Santo e da nossa santificação. O Espírito Santo não somente tem uma personalidade que Lhe é própria, mas também tem um método peculiar de trabalho; e portanto, devemos distinguir entre a obra de Cristo merecendo a salvação, e a obra do Espírito Santo aplicando. Cristo satisfez as exigências da justiça divina e mereceu todas as bênçãos da salvação. Mas a Sua obra ainda não está terminada. Ele a continua no céu, a fim de dar àqueles por quem Ele entregou Sua vida, a posse de tudo quanto mereceu por eles. Mesmo a obra de aplicação é uma obra de Cristo, mas é uma obra que Ele realiza por intermédio do Espírito Santo. Conquanto esta obra apareça na economia da redenção como obra do Espírito Santo, não pode nem por um instante ser separada da obra de Cristo. Tem suas raízes na obra redentora de Jesus Cristo e leva esta à sua completação, e isso não sem a cooperação dos sujeitos da redenção. Cristo mesmo indica a íntima conexão quando se diz: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as cousas que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber o que é meu, e vo-lo há de anunciar”, Jo 16.13, 14.

1 – A NATUREZA DO ESPÍRITO SANTO

O nome é aplicado à terceira pessoa da Trindade. Apesar de se nos dizer em Jo 4.24 que Deus é Espírito, o nome se aplica mais particularmente à terceira pessoa da Trindade. O termo hebraico com o qual Ele é designado é Ruach, e o grego, é pneuma, ambos os quais, como o vocábulo latino spiritus, derivam de raízes que significam “soprar”, “respirar”. Daí, também podem ser traduzidos por “sopro” ou “fôlego”, Gn 2.7; 6,17; Ez 37.5, 6, ou “vento”, Gn 8.1: 1 Rs 19.11: Jo 3.8.

1.1    – A Personalidade do Espírito Santo
As expressões “Espírito de Deus” e “Espírito Santo” não sugerem personalidade com a clareza que o termo “Filho” sugere. Além disso, a pessoa do Espírito Santo não apareceu de forma pessoal claramente discernível entre os homens, como aconteceu com a pessoa do Filho de Deus. Como resultado, a personalidade do Espírito Santo muitas vezes foi posta em questão e, portanto, merece atenção especial. A personalidade do Espírito foi negada na Igreja Primitiva pelos monarquistas e pneumatomaquianos. Nesta negação eles foram seguidos pelos socianos dos dias da Reforma. Mas recentemente, Schleiermacher, Ritschil, os unitários, os modernistas dos dias atuais e todos os sabelianos modernos rejeitam a personalidade do Espírito Santo.
A prova bíblica da personalidade do Espírito Santo é mais que suficiente:
1)      São-lhe atribuídas características de pessoa: como inteligência, Jo 14.26; 15.26; Rm 8.16, vontade, At 16.7; 1 Co 12.11; e sentimentos, Is 63.10; Ef 4.30. Demais, Ele realiza atos próprios de personalidade. Sonda, fala, testifica, ordena, revela, luta, cria, faz intercessão, vivifica os mortos, etc, Gn 1.2; 6.3; Lc 12.12; Jo 14.26; 15.26; 16.8; At 8.29; 13.2; Rm 8.11; 1 Co 2.10, 11. O realizador destas coisas não pode ser um simples poder ou influência, mas tem que ser uma pessoa.
2)      É apresentado como mantendo tais relações com outras pessoas, que implicam Sua própria personalidade. Ele é colocado na justaposição com os apóstolos em At 15.28, com Cristo em Jo 16.14, e com o Pai e o Filho em Mt 28.19; 2 Co 13.13; 1 Pe 1.1, 2; Jd 20, 21. Uma boa exegese exige que nestas passagens o Espírito Santo seja considerado uma pessoa.
3)      Designativos próprios de personalidade Lhe são dados. Embora pneuma seja neutro, o pronome masculino ekeinos é utilizado como referência ao Espírito Santo em Jo 16.14; e em Ef 1.14 algumas das melhores autoridades têm o pronome relativo masculino hos. Além disso, é-lhe aplicado o nome Parakletos, Jo 14.26; 15.26; 16.7, termo que não pode ser traduzido por “conforto”, “consolação”, nem pode ser considerado como nome de alguma influência abstrata. Um fato que indica que se trata de uma pessoa é que o Espírito Santo, como Consolador, é colocado em justaposição com Cristo como o Consolador que estava para partir, a quem o mesmo termo é aplicado em 1 Jo 2.1. É verdade que este termo é seguido pelos neutros Ho e auto em Jo 14.16-18, mas isto se deve ao fato de que intervém o vocábulo pneuma.
4)      Também há passagens em que se distingue entre o Espírito e o Seu Poder, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.13; 1 Co 2.4. Tais passagens seriam tautalógicas, sem sentido, e até absurdas, se fossem interpretadas com base no princípio de que o Espírito é pura e simplesmente um poder impessoal. Pode-se ver isto substituindo o nome “Espírito Santo” pela palavra “poder” ou “influência”.

Conclusão 1: A Personalidade do Espírito é:
A – Provada Por Suas Características
1.      Ele é Inteligente (1 Co 2.10-11)
2.      Ele Tem Emoções (Ef 4.30)
3.      Ele Tem Vontade (1 Co 12.11)

B – Provada Por Suas Obras
1.      Ele Ensina (Jo 14.26)
2.      Ele Guia (Rm 8.14)
3.      Ele Comissiona (At 13.4)
4.      Ele dá Ordens a Homens (At 8.29)
5.      Ele Age no Homem (Gn 6.3)
6.      Ele Intercede (Rm 8.26)
7.      Ele Fala (Jo 15.26; 2 Pe 1.21)



C – Provada Pelo Que Lhe é Atribuído Em Suas Relações Com Outros
1.      Ele Pode Ser Obedecido (At 10.19-21)
2.      Pode-se Mentir a Ele (At 5.3)
3.      Ele Pode Ser Resistido (At 7.51)
4.      Ele Pode Ser Reverenciado (Sl 51.11)
5.      Pode-se Blasfemar Contra Ele (Mt 12.31)
6.      Ele Pode Ser Entristecido (Ef 4.30)
7.      Ele Pode Ser Ultrajado (Hb 10.29)

D – Provada Por Uma Gramática Incomum
A despeito do fato de a palavra grega para Espírito ser neutra em gênero, varias vezes se empregam pronomes masculinos para substituir o substantivo neutro, o que contraria todas as regras normais de gramática, mas indica a personalidade do Espírito (Jo 16.13-14; 15.26; 16.7-8).


2 – A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo é representado na Escritura como possuindo a autoridade e os atributos divinos, os Pais da Igreja nunca apresentaram dúvidas quanto à divindade do Espírito e também concordam com o fato de que ele é uma pessoa.

A – Provada Pelos Seus Nomes
1.      Nomes que relacionam o Espírito em pé de igualdade às demais Pessoas da Trindade (1 Co 6.11).
2.      Nomes que O apresentam realizando obras que somente Deus pode fazer (Rm 8.15; Jo 14.16).
3.      O Espírito Santo é chamado Deus - (Atos 5:3-4, 9; I Coríntios 3:16; Efésios 2:22; II Coríntios 3:17).
4.      O Espírito é chamado Adonai (Compare Atos 28:25 com Isaías 6:8-9).
5.      O Espírito é chamado Jeová (Compare Hebreus 10:15-16 com Jeremias 31:31-34).

B – Provada Por Suas Características
O Espírito possui atributos divinos:
1.      Onisciência (1 Co 2.10-11)
2.      Onipresença (Sl 139.7)
3.      Onipotência (Gn 1.2)
4.      Verdade (1 Jo 5.6)
5.      Santidade (Lc 11.13)
6.      Vida (Rm 8.2)
7.      Sabedoria (Is 40.13)

C – Provada Por Suas Obras
Ao Espírito são atribuídas obras que somente Deus pode realizar.
1.      Criação (Gn 1.2)
2.      Inspiração (2 Pe 1.21)
3.      Gerar a Cristo em Sua encarnação (Lc 1.35)
4.      Convencer o Homem (Jo 16.8)
5.      Regenerar o Homem (Jo 3.5-6)
6.      Consolar (Jo 14.16)
7.      Interceder (Rm 8.26-27)
8.      Santificar (2 Ts 2.13)

D – Provada Por Sua Associação em Pé de Igualdade
O Espírito Santo é associado as demais pessoas da Trindade (At 5.3-4; Mt 28.19; 2 Co 13.13).

Conclusão 2: Pode-se estabelecer a veracidade da divindade do Espírito Santo com base na Escritura seguindo uma linha de comprovação muito semelhante à que foi empregada com relação ao Filho: (1) São-lhe dados nomes divinos, Êx 17.7 (comp. Hb 3.7-9); At 5.3, 4; 1 Co 3.16; 2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21. (2) São-lhe atribuídas perfeições divinas, como onipresença, Sl 139.7-10, onisciência, Is 40.13, 14 (comp. Rm 11.34); 1 Co 2.10, 11, onipotência, 1 Co 12.11; Rm 15.19, e eternidade, Hb 9.14 (?). (3) Ele realiza obras divinas, como a criação, Gn 1.2; Jó 26.13; 33.4, renovação providencial, Sl 104.30, regeneração, Jo 3.5, 6; Tt 3.5, e a ressurreição dos mortos, Rm 8.11. (4) É-lhe prestada honra divina, Mt 28.19; Rm 9.1; 2 Co 13.13.
3 – A PROCESSÃO DO ESPÍRITO SANTO

A – Definição
Processão é uma palavra que tenta descrever o eterno relacionamento entre o Espírito e as outras duas Pessoas da Trindade. Ele procedeu eternamente do Pai e do Filho sem que isso dividisse ou alterasse, de algum modo, a natureza de Deus.

B – História
Este conceito foi formulado no Credo de Constantinopla em 381. Em 589, o Sínodo de Toledo acrescentou a famosa cláusula latina “filioque”, que afirmava que o Espírito procedia do Pai e do Filho.

C – Escrituras
João 15.26 afirma expressamente que o Espírito procede do Pai, ao passo que a ideia de Sua processão do Filho vem de versículos como Gálatas 4.6, Romanos 8.9 e João 16.7.

Conclusão 3: A processão é a relação do Espírito Santo com as outras pessoas da Trindade. As primeiras controvérsias trinitárias levaram à conclusão de que o Espírito Santo, como o Filho, é da mesma essência do pai e, portanto, é consubstancial com Ele. E a longa discussão acerca da questão, se o Espírito Santo procedeu somente do pai ou também do Filho, foi firmada finalmente pelo Sínodo de Toledo em 589*, pelo acréscimo da palavra “Filioque” (e do Filho) à versão latina do Credo de Constantinopla: “Credimos in Spiritum Sanctum qui a Patre Filioque procedidit” (“Cremos no Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho”). Esta processão do Espírito Santo, resumidamente chamada espiração, é Sua propriedade pessoal.


4 – TIPOS E ILUSTRAÇÕES DO ESPÍRITO SANTO
Alguém disse uma vez que o ensino adequado "torna os ouvidos dos homens em olhos". Isto é exemplificado na Bíblia por tipos, parábolas, comparações e metáforas. As verdades espirituais são apresentadas numa multiplicidade de figuras terrestres.
A pessoa e a obra do Espírito Santo são ilustradas nas Escrituras por várias figuras simbólicas. Essas figuras simbólicas podem ser objetos, pessoas ou evento, que prefiguram um outro objeto, pessoa ou evento. Nessa lição queremos examinar algumas destas figuras simbólicas do Espírito Santo.

A – POMBA
Em João 1:32, encontramos o Espírito tomando a forma de uma pomba. As caraterísticas da pomba fazem dela um tipo apto do Espírito que são a sua beleza, suavidade, limpeza e a característica de ela ser facilmente incomodada (Efésios 4:30). A pomba também é inofensiva (Mateus 10:16) e calma. Outras referências nas Escrituras onde este tipo é usado são as seguintes:
A. Gênesis 1:2, pois o Espírito é visto afagando a criação como um pássaro sobre o seu ninho.
B.  Gênesis 8:6-12, uma pomba é solta da arca por Noé. Aqui encontramos pelo menos duas figuras do Espírito Santo.
·         A pomba, não como o corvo, recusou-se a continuar do lado de fora da arca, onde nenhum lugar limpo podia ser encontrado. O Espírito, obviamente, só habita naqueles que têm sido lavados pelo sangue de Cristo.
·         A pomba trouxe de volta uma folha de oliveira como um sinal de esperança para aqueles que estavam na arca. Isso prefigura o Espirito que traz a segurança da salvação para os que estão em Cristo.
Observação: É interessante notar que o corvo era um pássaro abominável (Levítico 11:15). Aves também são usadas na Escritura como figuras de espíritos demoníacos (Mateus 13:4, 19; Apocalipse 18:2).

B – ÓLEO / AZEITE
O óleo de oliveira (azeite) foi um artigo de grande importância na Palestina, sendo usado como comida, remédio, iluminação e unção. É um tipo constante do Espírito Santo tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento.
·         Em Êxodo 40:9-11, aprendemos que o tabernáculo e os móveis deveriam ser ungidos com azeite. Como o tabernáculo era uma figura de Cristo, o azeite figurou Cristo sendo ungido pelo Espírito.
·         Em Êxodo 27:20-21, notamos que o interior do tabernáculo era iluminado pelo uso de óleo de oliveira. Como os pertences eram figuras de Cristo, a interpretação é fácil. Sem a iluminação do Espírito de Deus ninguém poderia ver as glorias do nosso Salvador.
·         Em Levítico 14:14-18, aprendemos que na purificação de uma lepra, foram usados tanto o sangue quanto o azeite. Isto revela que: quando alguém é convertido e curado do pecado, operam tanto o sangue de Cristo quanto a pessoa do Espírito Santo.
·         Os profetas, sacerdotes e reis sendo ungidos prefiguravam a Cristo como nosso profeta, sacerdote e rei.
·         Em Levítico 2:1, encontramos a flor de farinha (um tipo da carne imaculada de Cristo) que foi ungida com azeite (um tipo do Espírito Santo).
·         O óleo é freqüentemente associado, na Bíblia, a curas (Isaías 1:6; Lucas 10:34; Marcos 6:12-13). O Espírito Santo sara espiritualmente.

C – ÁGUA
A água é um tipo comum do Espírito Santo na salvação. O espaço proíbe-nos de nos aprofundarmos neste tipo como gostaríamos:
·        A água é a fonte da vida. Sem água este mundo seria um cemitério desolado e ressecado. Da mesma forma é a presença do Espírito que traz vida e fruto espiritual para as nossas vidas (Galátas 5:22; Isaías 44:3; Atos 2:17).
·        A terra tem abundância de água. Os remidos também têm uma fonte abundante do poder do Espirito (João 7:38).
·        É necessária água para a limpeza. É o Espírito quem limpa nossos corações na regeneração e, continua nos purificando quando diariamente nos aproximamos de nosso Pai celestial (Tito 3:5; Êxodo 29:4).
·        O Espírito Santo é comparado à água viva vinda de um córrego constante. Ele é de todas as formas superior aos poços e às poças estagnadas deste mundo. Enquanto os prazeres desta vida desaparecem e acabam, o Espirito de Deus continua sendo uma fonte interior de vida e gozo (João 4:14; 7:37-39).

D – VENTO
O vento é um tipo especial do Espírito porque a palavra "espirito" também pode ser traduzida como "vento" (veja capítulo 1). Nosso Senhor usa vento como um tipo do Espirito (João 3:8).
·        O vento é invisível na sua obra (João 3:8). Cristo assim revelou a insensatez de conectar a regeneração com sinais visíveis como o batismo.
·        O vento não é controlado pelos homens (João 3:8). O Espírito Santo é soberano em Suas operações.
·        A presença do vento é percebida pela sua influência (João 3:8). Da mesma forma a presença do Espírito Santo é conhecida pela Sua influência nos corações.
·        O vento é poderoso (Atos 2:1-2). O Espírito Santo pode quebrar o coração mais duro.
·        Assim como que o vento move um barco a velas, o Espírito de Deus moveu aqueles que escreveram as Escrituras (II Pedro 1:21).
·        Da mesma maneira que o vento seco pode murchar a beleza da natureza, o Espírito Santo pode secar o coração orgulhoso através da Sua obra de convicção (Isaías 40:6-7).

E – FOGO
·         Em Atos 2:3, vemos que o fogo era um sinal da presença do Espírito. Vemos no Velho Testamento que o fogo é uma evidência da presença do Senhor (Êxodo 3:2), da aprovação do Senhor (Levítico 9:24) e da proteção do Senhor {Êxodo 13:21}. Talvez, todas essas idéias estejam incluídas em Atos 2:3.
·         Em Apocalipse 4:5, o Espírito é simbolizado por sete lâmpadas de fogo. O número sete tem confundido algumas pessoas, mas parece referir-se ao perfeito conhecimento dado a Cristo, o ungido de Deus (Isaías 11:1-4; Apocalipse 5:6).

Conclusão 4: As figuras simbólicas do Espírito na Bíblia.

·         Vestimentas (Lc 24.49)
·         Pomba (Mt 3.16; Mc 1.10; Lc 3.22; Jo 1.32)
·         Penhor (2 Co 1.22; f.5; Ef 1.14)
·         Fogo (At 2.3)
·         Óleo (Lc 4.18; At 10.38; 2 Co 1.21; 1 Jo 2.20)
·         Selo (2 Co 1.22; Ef 1.13; 4.30)
·         Servo (Gn 24)
·         Água (Jo 4.14; 7.38-39)
·         Vento (Jo 3.8; At 2.1-2)


5 – A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NO A.T.
Muitas das obras divinas são atribuídas às três pessoas da Trindade. Este fato também é verdadeiro na criação. Enquanto o Pai e o Filho são reconhecidos pela obra (Atos 4:24; João 1:3), o Espírito Santo não fica excluído.

A – Na Criação A.T.
O Espírito deu à criação:
1)      Vida (Sl 104.30; Jó 33.4)
2)      Ordem (Is 40.12; Jó 26.13)
3)      Beleza (Sl 33.6; Jó 26.13)
4)      Preservação (Sl 104.30)
No domínio da natureza é obra do Espírito Santo dar vida a todas as criaturas que se movem, na terra, no céu ou no mar, porque "se você enviar o seu Espírito, eles são criados" (Salmo 104: 30). Por outro lado, "se eu pensei em retirar-se o seu espírito, tirar o fôlego da vida, toda a humanidade pereceria, a humanidade seria poeira!" (Jó 34:14-15). Aqui vemos o papel do Espírito Santo no fornecimento e manutenção da vida humana e animal.

B – No Homem A.T.
1)      Habitação seletiva
·         O Espírito estava em certas pessoas na época do A.T. (Gn 41.38; Nm 27.18; Dn 4.8; 5.11-14; 6.3).
·         O Espírito vinha sobre várias pessoas (Jz 3.10; 6.34; 11.29; 1 Sm 10.9-10; 16.13).
·         O Espírito enchia alguns (Êx 31.3; 35.31)
Assim, Seu relacionamento pessoa com os homens no A.T. era limitado, pois nem todos experimentavam Sua ação e esta não era necessariamente permanente em todos os casos (Sl 51.11).

2)      Capacitação para o serviço A.T.
O Espírito Santo muitas vezes capacitou as pessoas para um serviço especial.
·         A Josué deu dons de liderança e sabedoria (Nm 27:18; Dt 34:9)
·         Os juízes foram habilitados para libertar Israel de seus opressores (note como "o Espírito do Senhor veio sobre" Otoniel em Juízes 3: 10, at 6:34 Gideão, Jefté e Sansão em 11:29-13:25, 14:6, 19; 15:14).
·         O Espírito Santo veio sobre Saul e ele profetizou e o capacitou para guerrear contra os inimigos de Israel (1 S 11:6).
·         Quando Davi foi ungido rei, "o Espírito do Senhor se apoderou de Davi naquele dia estava com ele. " (1 S 16:13), permitindo que Davi cumprisse a tarefa de governar para a qual Deus o havia chamado.
·         De uma maneira ligeiramente diferente de treinamento, o Espírito Santo deu a Bezalel habilidades artísticas para construir o tabernáculo e seus móveis (Ex 31:3, 35:31), e também lhe deu a capacidade de ensinar essas habilidades aos outros (Ex 35:34).





6 – A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO

A – Definições
·         Revelação significa o desvendamento de algo que era previamente encoberto ou desconhecido. A revelação diz respeito ao material ou objeto a ser revelado (i.e., o que).
·         Inspiração é o processo divino de supervisão dos autores humanos da Bíblia, de modo que, usando suas próprias personalidades e estilos, compuseram e registraram sem erros as palavras de Deus para Sua revelação ao homem nos manuscritos originais (os autógrafos). A inspiração diz respeito ao modo (i.e., o como).

B – O Autor da Revelação É o Espírito Santo
A passagem mais específica é 2 Pedro 1.21 (cf. 2 Sm 23.2; Ez 2.2; Mq 3.8; Mt 22.43; At 1.16; 4.25).

C – Os Meios da Revelação
O Espírito usou:
·         A Palavra falada (Êx 19.9)
·         Sonhos (Gn 30.31)
·         Visões (Is 6.1)
·         A Palavra escrita (Jo 14.26; 1 Co 2.13)
·         Cristo

D – O Autor da Inspiração É o Espírito Santo
·         Do A.T.
o   (2 Sm 23.2-3; 2 Tm 3.16; Mc 12.36; At 1.16; 28.25; Hb 3.7; 10.15-16).
·         Do N.T.
o   A inspiração do N.T. foi pré-autenticada por Cristo (Jo 14.26).
o   Ela é afirmada pelos autores do N.T. (1 Co 14.37; Gl 1.7-8; 1 Ts 4.2, 15; 2 Ts 3.6. 12, 14).
o   Ela é atestada mutuamente pelos apóstolos (1 Tm 5.18; 2 Pe 3.16).

7 – A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA VIDA DE CRISTO
Mesmo que a interação entre as pessoas da Trindade seja sempre incompreensível, ainda mais misteriosa é a relação entre o Espírito de Deus e o Nosso Senhor encarnado. O Salvador era tão Deus quanto homem. Cristo era auto-suficiente como Deus, mas na sua humilhação precisava ser ungido pelo Espírito. Não devemos murmurar, então, que todas as coisas são incompreensíveis, mas estarmos alegres pelo mistério da piedade (I Timóteo 3:16).

A – Em Seu Nascimento Virginal
O Espírito Santo realizou a concepção no útero de Maria (Lc 1.35).

B – Em Sua Vida
B1)   Quando Cristo foi ungido pelo Espírito (Lc 4.18; At 10.38).
Essa unção ocorreu em Seu batismo (Mt 3:16, Mc 1:11, Lc 3:22, Jo 1.32). Quando se levantou para pregar na sinagoga de Nazaré, disse que cumpriu a profecia de Isaías: "O Espírito do Senhor está sobre mim porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres. Ele enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e para proclamar o ano aceitável do Senhor "(Lc 4:18-19).

B2)    Por que o Filho de Deus necessitava ser ungido?
A pergunta o porquê o Filho de Deus necessitava ser ungido pelo Espírito é parte do grande mistério da encarnação. Devemos considerar exatamente o que atualmente diz as Escrituras, para não afastarmos em vãs especulações. O propósito era:
1)        Dar um sinal para as pessoas (João 1:32-34; 6:27) - João reconheceu que Cristo tinha o poder do Espírito Santo (João 3:34).
2)        Equipar a Cristo para o serviço (Isaías 61:1-4) – Embora Cristo fosse Deus encarnado, Ele abriu mão de fazer uso de seus atributos divinos.
3)        Porque o Senhor ao ser ungido igualou-se a todos os homens - A aliança da graça requer de Cristo a representação do Seu povo, tornando-se um servo e, tomando sobre si a natureza deles (Filipenses 2:5-11; Hebreus 2:14, 17). Como os filhos de Deus são dependentes do Espírito para servir, Cristo também serviu a Deus pelo poder do Espírito (Atos 10:38; Isaías 61:1-3).

B3)    Cristo foi tentado (Mt 4.1; Mc 1.12)
Foi o Espírito Santo quem conduziu Jesus a ser tentado.

B4)    Cristo foi cheio do Espírito (Lc 4.1)
"Jesus voltou para a Galiléia no poder do Espírito" (Lucas 4: 14).

B5)    Cristo foi selado com o Espírito (Jo 6.27)

B6)    Cristo foi guiado pelo Espírito (Lc 4.1)

B7)    Cristo foi capacitado pelo Espírito (Mt 12.28)
O serviço de Cristo. As palavras e as obras maravilhosas de Cristo foram produzidas pelo poder do Espírito (Atos 10:38; Lucas 4:16-21; Mateus 12:28).





8 – A OBRA DO ESPÍRITO SANTO NA SALVAÇÃO

A – A Obra Preparatória do Espírito na Salvação
Há uma obra comum que é preparatória à regeneração e que acontece no coração do pecador. Devido a salvação ser tanto uma obra moral quanto legal se torna necessária essa preparação. Aqueles que vão gozar eternamente dos benefícios da fé em Cristo são primeiramente tocados para que vejam a necessidade de terem a Cristo. O homem egoísta deve ser quebrado para que o Salvador possa receber toda a glória na salvação.
Antes de começar este tópico, devemos ser alertados que o Espírito Santo é um agente soberano na salvação. Ele opera como quer, e a experiência de uma pessoa não deve tornar-se um padrão para os outros. Algumas pessoas levam meses para serem convencidas, enquanto outros logo reconhecem a plena certeza da salvação (Atos 8:25-39; 16:25-34). Alguns, com Paulo, encontram o Senhor sem O estar procurando (Romanos 10:20).
Tendo o cuidado de lembrar estes fatos, estudaremos algumas das obras preparatórias do Espírito na salvação.

1)      DESPERTAR
Ninguém pode superestimar o perigo em que se encontram os homens pecadores (João 3:18; Hebreus 10:31), a Bíblia retrata-os como sendo adormecidos, cegos, mortos e inconscientes. A morte, o pecado, o julgamento e a eternidade não são realidades para os não regenerados (Isaías 28:15). Os homens dormem a beira do inferno.
No despertar do pecador, o Espírito de Deus impressiona a mente sobre a realidade da eternidade e do juízo.
Os assuntos espirituais tornam-se importantes. Nem todos os despertados vêm à salvação. Alguns voltam a dormir através de uma confissão vazia de religião ou pela força do mundo (Atos 24:25).

2)      ILUMINAÇÃO
Enquanto apenas os regenerados são "renovados para o conhecimento" (Colossenses 3:10) os não salvos podem receber um grau de iluminação. Quando um pecador é iluminado, pode perceber claramente o perigo do pecado e a gravidade da eternidade. Pela primeira vez, a sua alma torna-se importante. Não requer tudo isso um grau de iluminação?
Até mesmo o homem natural pode ser movido a temer o Inferno e a estar preocupado com o seu eterno bem. Esta iluminação é simplesmente um alerta na mente natural do homem para que ele veja o perigo do pecado e do juízo.

3)      CONVICÇÃO
Enquanto o "despertar" trata mais com o perigo, a "convicção" é a obra de Deus pela qual é revelada a causa do perigo. Pela convicção, o homem é convencido e reprovado a respeito de sua condição pecaminosa. Só esta pode dar ao pecador o desejo de conhecer a Cristo.
3.1)        As áreas de convicção - Em João 16:8-11, achamos três áreas pelas quais o homem é convencido.
·         Do pecado - Deus convence os homens dos pecados grossos que tenham feito (Atos 2:36-37), do pecado original, da falha ao cumprir os deveres e do pecado da incredulidade.
·         Da justiça - Os homens são convencidos da justiça de Cristo, e da necessidade de Sua justiça (Mateus 5:6).
·         Do juízo vindouro - Juízo geralmente refere-se a domínio. Os homens são convencidos que Satanás será vencido, e Cristo será o Rei, e a resistência é tolice. Os poderes do mal não terão oportunidade de vencer, mas todos ficarão diante de Deus.
3.2)        Necessidade de convicção
·         Sem a convicção, os homens nunca estariam prontos para admitir a sua total profanação, nem viriam a Cristo como mendigos desesperados. "Cristo é tudo" (Colossenses 3:11) na salvação, e Deus gostaria que os remidos entendessem isso. A convicção, então, prepara a alma para a fé em Cristo.
·         A convicção é preparatória ao arrependimento. A tristeza segundo Deus (II Coríntios 7:10) precede o arrependimento que é uma mudança permanente do coração e da mente acerca do pecado.
3.3)        As marcas da verdadeira convicção
·      A verdadeira convicção faz com que os homens aceitem suas culpas (Salmos 51:4; Lucas 18:9-14).
·      A verdadeira convicção destrói o egoísmo do homem (Lucas 18:9-14; Isaías 64:6).
·      A verdadeira convicção encara o pecado como sendo contra Deus (Salmos 51:4; Lucas 15:18).
·      A verdadeira convicção guia o convencido a Cristo, e não ao desespero mundano (II Coríntios 7:10).

A convicção pode não ser uma obra agradável, mas é necessária. Ver como somos, é um pré-requisito para que vejamos a Cristo. Nas primeiras quatro bem-aventuranças (Mateus 5:3-6) nosso Senhor explica que só os que conhecem a verdadeira convicção são realmente abençoados.


B – A Obra do Espírito Santo na Regeneração
João 3.5-7: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo”.

B1)     Definição
O ato divino de geração espiritual, pelo qual Ele comunica vida eterna e nova natureza.
Regenerar significa restabelecer o que estava destruído, reorganizar, dar vida nova a, etc.



B2)Meio
É obra de Deus. A regeneração é o dom da graça de Deus, é a obra sobrenatural do Espírito Santo (Jo 3.3-7; Tt 3.5) realizada no salvo após a justificação pela exclusiva determinação de Deus. A fé é o requisito humano em presença do qual o Espírito regenera, e a Palavra de Deus fornece o conteúdo cognitivo da fé.
A Escritura revela que o homem natural não tem a capacidade de escolher a Deus, mas que todos os salvos foram escolhidos por Ele (Ef 1.4), por isso o ‘novo nascimento’ implica não só em uma nova vida agora, como também a vida eterna no mundo do porvir.
                                                    
B3)Característica
·         É um ato instantâneo, não um processo (embora seus antecedentes e consequências possam ser processos).
·         É não-experimental (não se deriva ou baseia em experiência, embora seja seguida das experiências comuns à vida cristã).

B4)Consequências
·         Uma nova natureza (2 Co 5.17).
·         Uma nova vida (1 Jo 2.29)

C – A Necessidade do Novo Nascimento
Em João 3:3 e 5, nosso Senhor afirma claramente que a regeneração é necessária para a salvação. O homem não só precisa de perdão para que tenha comunhão com Deus, como também a sua natureza deve ser renovada. O homem caído é natural (I Cor 2:14), sensual (Judas 19) e carnal (Rom 8:5-7), o oposto ao espiritual (I Cor 2:15). Cristo revela que há uma distinção imutável entre o que é nascido da carne e o que é nascido do Espírito. A carne pode ser religiosa, refinada, educada e ter aparência moral, mas ainda é carne (João 3:6).
Cada parte do homem natural é corrompida pelo pecado. A sua mente é entenebrecida às coisas de Deus (I Cor 1:18; 2:14; Efés 4:18). Seu coração está numa condição de inimizade contra Deus (Rom 8:7; Jer 17:9). A sua vontade é livre somente para cumprir os desejos de uma natureza depravada (João 1:13; Rom 9:16; Fil. 2:13). A carne torna-se completamente inútil para as coisas de Deus (João 6:63).

D – Efeito da Regeneração
O efeito da regeneração é fazer com que o crente passe da morte para a vida espiritual através da mudança na disposição da mente, voltando o seu pensamento e suas ações para a obediência e o prazer na Palavra de Deus, os dons concedidos na regeneração são: a fé em Cristo e o arrependimento para a vida, desta forma, a justificação antecede à fé, pois a fé é um dom de Deus procedente da salvação, sendo infundida no crente através da ação do Espírito Santo.

E – Habitação (1 Co 6.19)
Quando a pessoa é justificada, ela recebe o Espírito, que passa a habitar com os filhos de Deus.
1 Coríntios 6,19: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?”.

1.      As pessoas habilitadas
Todos os verdadeiros crentes, porque:
·         Mesmo crentes em pecado desfrutam da habitação (1 Co 6.19).
·         O Espírito é um dom (Rm 5.5).
·         A ausência do Espírito é prova da condição de não-salvo (Rm 8.9b).

2.      A permanência da habitação
Os crentes podem perder a plenitude do Espírito, mas não a Sua habitação (Jo 14.16).

3.      Problemas com a habitação
·         A obediência é uma condição (At 5.32)? Sim! Mas a obediência à fé cristã (At 6.7; Rm 1.5).
·         Algumas pessoas não foram temporariamente habitadas? Sim! Mas apenas antes do Dia de Pentecostes (1 Sm 16.14).
·         Qual a relação entre a unção e a habitação? Elas ocorrem ao mesmo tempo, mas com propósitos diferentes: a habitação é a presença de Deus na vida do crente, ao passo que a unção o capacita a ser ensinado pelo Espírito (1 Jo 2.20,27) e a agir na autoridade delegada por Cristo.


9 – A OBRA DO ESPÍRITO COMO CONSOLADOR
(Pr. Ron Crisp)

Na Santa Ceia nosso Senhor falou da sua traição, da sua morte e da sua partida que estava próxima. Quando pensaram em viver sem Jesus no meio deles sentiram-se esmagados. Quando Cristo falou das perseguições vindouras (João 16:1-4), os seus corações ficaram cheios de tristeza (João 16:6).
Os apóstolos tinham visto nuvens de dificuldade unindo-se a muito tempo, mas eles se sentiam seguros com a presença de Cristo. Nosso Salvador tinha acalmado cada tempestade, alimentou a multidão quando eles eram impotentes e expulsou o demônio que eles não puderam expulsar. Ele tinha sido o guia infalível e o Seu professor. Eles se sentiam, agora, como órfãos impotentes. Contra o cenário escuro da Sua iminente ida para o céu o nosso Senhor falou palavras de conforto em João, capítulos 14 a 16. Foi neste momento que Ele os deu a promessa de outro Consolador (João 16:7).
Nesta lição desejamos aprofundar-nos na missão do Espírito como nosso Consolador. 
“Mas eu vos digo a verdade: Convém-vos que eu vá, porque se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16.7).

            A – O Que Significa Consolo
Consolo é confortar ou amenizar a dor de alguém. Este mundo é um lugar de tribulação, perseguição, e lágrimas para os filhos de Deus.
Antes da partida de Cristo Ele assegurou aos apóstolos que as dificuldades seriam grandes em suas vidas (João 16:1-4). Portanto, os crentes, não devem esperar o fim das dificuldades, mas o consolo em meio às aflições.

B – O Consolador
A palavra grega usada para consolador é 'parakletos' que significa "pessoa chamada para acompanhar..." o Espírito Santo como um consolador é nosso ajudante, conselheiro e defensor.
Em I João 2:1, Cristo é mencionado como nossa 'parakletos'.  Em João 14:16 Cristo disse que Ele enviaria "outro" consolador. A palavra grega para "outro" é allos e significa "outro do mesmo tipo." O Espírito Santo é, então, (assim como era Cristo) uma pessoa divina que zela por nós na ausência física de Cristo. Sendo onisciente Ele pode nos ensinar a vontade de Deus. Sendo onipotente Ele nos apoia no mundo. Ele nos ama assim como Cristo faz e, está em comunhão conosco (Rom 15:30; II Cor 13:14).

            C – Como o Espírito Santo Conforta os Crentes
1)      O Espírito Instrui os Cristãos.  Cristo constantemente instruiu os Seus apóstolos durante o Seu ministério terrestre, contudo com à sua partida, eles tiveram, ainda, muito a aprender. Ele lhes "prometeu outro Consolador" que continuaria ensinando-lhes (João 14:26, João 16:13-14). Nesta condição o Espírito Santo é chamado de "O Espírito da verdade" (João 14:17) que veio dar-lhes palavras que deveriam dizer quando fossem perante os tribunais (Mat. 10:17-20). Em tempos apostólicos ele ensinou pela revelação e pela iluminação. Com a conclusão do Novo Testamento Seu trabalho ficou limitado a iluminação (Mateus 10:17-20). As revelações proféticas de hoje são fundamentas nas Escrituras, e por elas devem ser julgadas. [2]
2)      O Espírito Intercede pelos Cristãos. Em Romanos 8:26-27, aprendemos que o Espírito Santo intercede por nós instigando-nos em nossas orações. Isto não deve ser confundido com o trabalho de Cristo como intercessor, Que é nosso advogado (Grego, 'parakletos') perante o Pai (I João 2:1). Com base na obra remissória terminada por Cristo, Ele intercede ao nosso lado perante o Pai. O Espírito Santo intercede, porém, não diretamente a nosso favor, mas alinhando nossa oração com a vontade do Pai e de Cristo nosso Senhor. É bom sabermos que quando ajoelhamos para orar temos alguém guiando-nos e que conhece a vontade de Deus, podendo conduzir-nos em nossos desejos e petições (Romanos 8:27, Efésios 6:18).
3)      O Espírito Sela os Cristãos. Em Efésios 4:30, entendemos que os crentes são selados pelo Espírito até o dia da redenção. O fato de o Espírito que nos habita nunca nos deixar foi usado por Cristo como uma forte base de consolação (João 14:16,17). Essas Escrituras parecem contrastar a presença contínua do Espírito de Deus com a natureza temporária da presença física de Cristo.
4)      O Espírito Assegura aos Cristãos o Amor de Deus. O Espírito Santo conforta as pessoas eleitas por Deus fazendo com que reconheçam em suas almas o amor que Deus tem para com elas (Romanos 5:5). O Espírito revela a nós tudo aquilo que Deus nos preparou (I Coríntios 2:9-10) como resultado do Seu amor.
5)      O Espírito Produz Fé nos Cristãos. Toda a fé e esperança tida pelo crente, em Deus[3], foi produzida pelo Espírito Santo. Ele sustenta essas graças que agem como uma âncora em nossas almas (Romanos 15: 13, Gálatas 5:22).
6)      O Espírito Produz Alegria nos Cristãos. Romanos 14:17, Gálatas 5:22.
7)      O Espírito Santifica os Cristãos. O Espírito Santo conforta o crente fortalecendo a sua graça, dando-lhe vitória sobre o pecado. O Espírito não deixará o trabalho iniciado na regeneração ser superado ou destruído por Satanás (Fil. 1:6; Rom 6:14).
8)      O Espírito Habilita a Pregar o Evangelho. O Espírito Santo conforta o crente dando-lhe sucesso em seu trabalho na Grande Comissão. Nós não permanecemos sozinhos em uma tarefa impossível, mas somos dotados de poder Divino (Atos 1:8, I Pedro 1:12, I Tessalonicenses 1:5).
9)      O Espírito Equipa a Igreja. O Espírito Santo é um conforto e uma ajuda para o povo de Deus, colocando nas igrejas dons necessários para a sua edificação (I Coríntios 12:1-31, Efésios 4:11-12).




10 – BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

A – Significado
Literalmente ser batizado no Espírito Santo significa ser totalmente imerso ou mergulhado em sua Pessoa Divina, de modo que nos tornamos dependente e submisso à Sua vontade.
Não podemos deixar de mencionar que quando o batismo no Espírito Santo ocorreu pela primeira vez sobre a Igreja, foi entendido por Pedro como cumprimento da palavra de Joel (Jl 2),  e este cumprimento é descrito pelo apóstolo pelo termo “derramar” (At 2.16-18).

B – Características do batismo
1)      Ocorre apenas na Era da Igreja (ainda era futura em At 1.5).
2)      Envolve todos os crentes (1 Co 12.13; Ef 4.5).
3)      Ocorre apenas uma vez (tempo aoristo em 1 Co 12.13) em nossas vidas.

C – Consequências do batismo
1)      Faz os crentes membros do Corpo de Cristo.
2)      Une os crentes com Cristo em Sua morte no que diz respeito à natureza pecaminosa (Rm 6.1-10).
3)      Nos marca aos olhos de Deus, isto é, somos selados.
·         O agente do Selo
O Pai (2 Co 1.22; Ef 1.13; 4.30).
·         O selo
O próprio Espírito.
·         A extensão do selo
A todos os crentes.
·         Em que tempo ocorre
No momento da conversão.
·         O propósito
Um selo é usado para afirmar propriedade. A presença do Espírito em um indivíduo é a prova que o mesmo pertence a Deus e a certeza de ser possuído por Deus e preservado até o dia da redenção. É uma garantia de segurança para o crente.

11 – PLENITUDE DO ESPÍRITO

A – Plenitude do Espírito ou Cheio do Espírito
A plenitude do Espírito é mais comumente chamada no Novo Testamento pela expressão "ser cheio do Espírito Santo".
Por causa de seu uso frequente em contextos que falam de crescimento e ministério cristão, esta é a expressão que melhor parece descrever o que os pentecostais chamam de "segunda experiência".

B – Uma experiência contínua em nossas vidas
Paulo diz aos Efésios: "Não vos embriagueis com vinho, que leva à libertinagem. Em vez disso enchei-vos do Espírito (Ef 5:18). Ele usa o verbo no tempo presente no modo imperativo que poderia ser traduzida mais explicitamente, "estão sendo continuamente cheio do Espírito Santo", implicando que é algo que deve estar acontecendo continuamente em cristãos, o que resultaria não somente numa segunda experiência, mas  na terceira, quarta, etc..
No livro de Atos, vemos exemplos repetidos de ser cheio do Espírito Santo.

·         Atos 2:4 – "Eles estavam todos cheios do Espírito Santo".
·         Atos 4:23, 31 – Todos se reuniram em oração "depois de ter orado, ..., todos foram cheios do Espírito Santo e falou a palavra de Deus com ousadia".

Embora Pedro havia sido preenchido com o Espírito Santo no Pentecostes (Atos 2:4), ele foi novamente enchido do Espírito Santo antes de falar na frente do Sinédrio (Atos 4:8), e foi novamente enchido do Espírito Santo quando orava com o grupo de cristão que estava reunido.
Há, portanto que compreender que ser cheio do Espírito Santo, não como um evento singular, mas como um evento que pode ocorrer uma e outra vez na vida de um cristão.

C – O Que Não É Encher-se do Espírito
1)      Não está recebendo mais “porção” do Espírito. Todo filho de Deus é habitado pelo Espírito Santo. O Espírito de Deus é uma pessoa e seria loucura dizer que Ele pode ser recebido em proporções.
2)      Não é somente para os maduros na fé . Os cristãos podem ser cheios do Espírito em todas as suas fases de maturidade. Um bebê em Cristo pode ser cheio do Espírito enquanto que um crente maduro pode estar falhando nesta área. O viver "cheio do Espírito" deveria ser visto como uma posição de boa saúde espiritual. A saúde pode ser experimentada em qualquer idade, contudo a falta de uma boa saúde é um impedimento ao crescimento formal, tanto no reino físico quanto espiritual.
3)      Não deve ser confundido com "ser batizado com o Espírito". Como esperado, o enchimento acompanhou o batismo em Atos 2, mas confundi-los é um sério erro que acaba pervertendo ambas as verdades. O batismo com o Espírito foi determinado para o dia de Pentecostes, e nesse dia, as pessoas ao serem batizadas foram enchidas do Espírito (batismo e enchimento foram eventos simultâneo). Entretanto o batismo é um evento único na vida de todo cristão e o encher-se do Espírito pode ocorrer diversas vezes. Somos instruídos a que sejamos cheios do Espírito, mas ninguém, nenhuma vez, foi instruído a que fosse batizado com o Espírito. São experiências distintamente diferentes.

D – Ser cheio do Espírito Santo nem sempre acompanha
 o falar em línguas
É algo que temos de falar sobre a experiência de ser cheio do Espírito Santo. Como havia vários casos em Atos, onde as pessoas receberam o poder do Espírito Santo na nova aliança e começaram a falar em línguas ao mesmo tempo, o ensino pentecostal comum é de que o sinal externo do batismo no Espírito Santo é o falar em línguas (ou seja, falar em línguas que não são compreendido pelos outros e pela pessoa que fala não aprendeu, se conhecido línguas humanas ou outros tipos de línguas dos anjos ou celestial).
Textos usados pelos pentecostais para fundamentar a doutrina de que o falar em línguas é sinal externo do batismo do Espírito Santo ou de que a pessoa está cheia do Espírito Santo:  Atos 2:4, 10:46, 19:6, provavelmente implícito 8:17-19 por causa de seus paralelos com a experiência dos discípulos em Atos 2.
Mas é importante perceber que há muitos casos em que o ser cheio do Espírito Santo não estava em falar em línguas. Quando Jesus foi cheio do Espírito Santo em Lucas 4:1, o resultado foi a força para vencer as tentações de Satanás no deserto. Quando as tentações acabados, e Jesus "voltou para a Galiléia no poder do Espírito" (Lc 4:14), os resultados foram curas milagrosas, expulsar espíritos malignos e de ensino com autoridade. Quando Isabel ficou cheia do Espírito Santo, falou palavras de bênção a Maria (Lc 1:41-45). Quando Zacarias, foi cheio do Espírito Santo, profetizou (Lucas 1:67-79). Outros resultados de ser cheio do Espírito Santo era pregar o evangelho com poder (Atos 4:31), (talvez) a sabedoria e maturidade cristã e bom testemunho (Atos 6:3), pregação poderosa quando eles foram acusados ​​em tribunal (Atos 4:8), uma visão do céu (Atos 7:55), e (aparentemente) a maturidade da fé e da vida (Atos 11:24). Vários destes casos pode também envolver a plenitude do Espírito Santo para habilitar algumas formas de ministério, especialmente no contexto do livro de Atos, onde a capacitação do Espírito Santo aparece com freqüência dando os resultados de milagres, pregações e obras de grande poder.
Portanto, embora a experiência de ser cheio do Espírito Santo pode estar para receber o dom de falar em línguas, ou use algum outro presente que não tinha experimentado antes, ele também pode vir sem o dom de falar em línguas . Na verdade, muitos cristãos ao longo da história têm tido experiências poderosas de ser cheio do Espírito Santo que não foram acompanhadas com o falar em línguas. Com relação a este dom com os outros presentes, devemos simplesmente dizer que o Espírito Santo "distribui a cada um como lhe apraz" (1 Cor. 12:11).

Observação: Não há nada de errado com a ensinar as pessoas a orar e buscar maior plenitude do Espírito Santo, esperar e pedir ao Senhor por um derramamento de mais dons espirituais em suas vidas, para o benefício do corpo de Cristo (cf. 1 Cor 12: 31, 14:1, 12). Na verdade, a maioria dos cristãos evangélicos em todas as denominações anseiam sinceramente ter mais poder para o ministério, maior alegria na adoração, e uma comunhão mais íntima e profunda com Deus. Muitos também apreciar uma melhor compreensão dos dons espirituais, e de encorajamento para crescer em seu uso.


E – Resultados da Plenitude do Espírito
A plenitude do Espírito Santo resultará em:
1)      Adoração e gratidão sincera - (Ef 5:19-20)
2)      Melhor harmonia nas relações uns com os outros - (Efésios 5:21 - 6:9).
3)      Uma crescente santificação
4)      Uso mais eficaz dos dons espirituais

Conclusão 10:
A – Definição
Ter a plenitude do Espírito, ou ser cheio do Espírito, significa ser controlado pelo Espírito (Ef 5.18).

B – Características
·         A plenitude do Espírito é uma ordem para o crente (Ef 5.18, o verbo é um imperativo).
·         A plenitude é passível de repetição (At 2.4; 4.31).
·         A plenitude do Espírito produz semelhança a Cristo (Gl 5.22-23).

C – Condições Para Estar Cheio do Espírito
1.      Uma vida dedicada – A submissão ao controle do Espírito, embora ordenada, é voluntária e exige atos de dedicação. Isto inclui dois aspectos: dedicação inicial (Rm 12.1-2) e a dedicação contínua da vida (Rm 8.14).
2.      Uma vida vitoriosa – Vitória diária sobre o pecado no cotidiano é uma necessidade para esse controle do Espírito (Ef 4.30). Isto significa reagir corretamente à luz da Palavra à medida que esta é revelada (1 Jo 1.7).
3.      Uma vida de dependência – Este é o significado de “andar no Espírito” (Gl 5.16).

D – Consequências – Ser cheio ou controlado pelo Espírito significa:
·         Um caráter semelhante ao de Cristo (Gl 5.22-23).
·         Uma vida de adoração e louvor (Ef 5.18-20).
·         Submissão (Ef 5.21).
·         Serviço (Jo 7.37-39).


12 – OS DONS DO ESPÍRITO

A – Definição
Um dom espiritual é uma capacidade dada por Deus ao crente para o desempenho de um serviço. Não é um lugar de serviço, nem um ministério para um grupo etário específico, nem um procedimento.
Os dons do Espírito são capacidades dados a alguém pela operação interna do Espírito Santo (I Coríntios 12:4-11).

Obs.: Muitos pastores e teólogos fazem diferença entre "Os dons do Espírito" e "dom do Espírito". Os primeiros descrevem as capacidades sobrenaturais concedidas pelo Espírito para ministérios especiais; o segundo refere-se a concessão do Espírito aos crentes conforme é ministrado por Cristo. (Atos 2:33).

1 - Dons Espirituais e talentos
"Nas três passagens que falam dos dons achamos mais ou menos vinte. O Antigo Testamento ainda enumera alguns dons que não estão no Novo (Êx 31:3-5). Muitos destes se parecem com habilidades ou talentos naturais que as pessoas podem ter; outros são claramente espirituais.
Muitos de nós com certeza conhecemos alguém que tem o dom específico de "música", que não está entre estes vinte. E muitas pessoas gostariam de saber que diferença há entre dons espirituais e talentos naturais. Alguém pode ter a habilidade natural de fazer artesanato muito bonito; outros podem ter talento para compor música. A maioria das pessoas tem talento para alguma coisa, o que também provem do criador.
Parece que Deus pode tomar um talento, transforma-lo, pelo poder do Espírito Santo, e usa-lo como dom espiritual. De fato muitas pessoas com freqüência especulam sobre a diferença entre dom espiritual e talento natural. Não sei com certeza se podemos sempre traçar uma linha precisa entre ambos – não se esqueça que os dois vêm de Deus, afinal de contas."
                                  (Billy Graham – O Espírito Santo – pp. 130 e 131).


B – Extensão (Para Quem?)
Todo crente! Podemos afirmar que todo crente tem pelo menos um, mas nunca todos (1 Pe 4.10).
Todos os crentes têm dons espirituais (I Pedro 4:10, I Coríntios 12:7), contudo é correto dizer que os dons foram dados à igreja. Nem todos os cristãos são membros de uma das igrejas do Senhor, mas é vontade de Deus que eles sejam. A igreja é o lugar apropriado para o exercício dos dons do Espírito. Os dons foram dados à igreja para seu desenvolvimento espiritual (Efésios 4:8-12; note o versículo 12; I Coríntios 12:14-31; note os versículos 27- 28). Os dons são dados aos santos individualmente, de forma que a assembleia como um todo seja abençoada.

Tempo
“Quando pensamos no tempo, estamos pensando se todos os dons operam ainda hoje. Bem trataremos melhor deste assunto quando estudarmos sobre os diversos dons espirituais. Neste momento apenas queremos afirmar que cada geração pode ou não ter todos os dons. Alguns dons, como apóstolos e profetas, foram concedidos para o estabelecimento, da fundação da Igreja (Ef 2.20) e sua concessão não deveria ser esperada depois de estar completo esse período de alicerçamento. Contudo de uma maneira diferente da igreja primitiva eles atuam ainda hoje”[4].

C – Os dons e a Igreja
A relação dos dons do Espírito para com a igreja pode ser vista no conceito do Novo Testamento onde se vê a igreja como o Templo de Deus, e como o Corpo de Cristo. Enquanto a regeneração "faz-nos pedras vivas" (I Pedro 2:5), são os dons do Espírito que fazem com que estas "pedras vivas" venham a formar o templo de Deus que é "bem ajustado" (Efésios 2:21). Da mesma maneira que um corpo humano tem muitos membros que contribuem para o bem-estar geral do todo, assim é a igreja local, como o corpo de Cristo, provida de toda função necessária, pela variedade de dons dentro de sua comunidade (I Coríntios 12:12-28., Efésios 4:16). À igreja foram dados dons do Espírito, porque Ela é a responsável por promover o crescimento espiritual das pessoas {Efésios 4:11-16}.
Essas capacidades podem e devem ser desenvolvidas por quem as tem; o dom de ensino, por exemplo, precisa ser desenvolvido através do estudo.


D – Descrição dos Dons e Tipos de Dons

Paulo fala dos dons do Espírito (“espirituais”, no original grego) num aspecto tríplice. São eles: “charismata[1]” (xarisma/twn – carismaton), ou uma variedade de dons concedidos pelo mesmo Espírito (I Co 12:4); “diakonai” (diakoniw~n – diakonion), ou variedade de serviços prestados na causa do mesmo Senhor (1 Co 12:5); e “energemata” (energhma/twn – energematon), ou variedades de poder ou realizações do mesmo Deus que opera tudo em todos (v.6).
Refere-se a todos estes aspectos como “a manifestação do Espírito” (v.7), que é dado aos homens para proveito de todos. Alguns estudiosos dizem que a diversidade de dons é para auxiliar a variedades de serviço que por sua vez podem se realizar de formas diferentes, contudo é o mesmo Deus que o realiza.


[1] CARISMA – no grego significa "dom da graça". Outras palavras são usadas para traduzir dons como: dorea e doma que aparecem no texto de Ef 4.

Listas de dons se encontram em Romanos 12.6-8; 1 Coríntios 12.8-10; Ef 4.11. O texto de 1 Coríntios 12.28-30 – Neste texto temos uma junção de todos os dons, onde Paulo afirma que tudo provem de Deus.

DONS MINISTERIAIS
DONS DE REALIZAÇÃO
DONS ESPIRITUAIS
Efésios 4.11
Permanentes
Jesus
Romanos 12.6-8
Temporário
Deus Pai
1 Coríntios 12.8-10
Sinais
Espírito Santo
Apóstolos
Profecia
Palavra de Sabedoria
Profetas
Ministério/serviço
Palavra de Conhecimento
Evangelistas
Ensino
Pastores
Exortação
Para curar
Mestres
Contribuição
Operações de Milagres

Presidir/Liderar
Profecia

Misericórdia
Discernimento de Espírito


Variedade de línguas

Obs.: Paulo parece não terminar esta lista.
Interpretação de línguas


DONS MINISTERIAIS, REALIZAÇÃO E ESPIRITUAIS
Ministério
Permanente
Realização
Temporário
Dons em Operação
Sinais
Apóstolo
Liderar / Governo
Profetizar
Ministrar
Operações de Milagres
Profeta
Profetizar
Exortar
Misericordioso
Profecia
Palavra de Conhecimento
Evangelista
Exortação
Misericórdia
Para curar
Pastores
Contribuição
Ensino
outros
Palavra de Conhecimento
Discernimento de Espírito
Mestres
Ensino
outros
Palavra de Sabedoria
Palavra de Conhecimento





Alguns dos dons foram determinados como sinais (Línguas, Milagres, Cura, etc..). Outros dons permitem a igreja operar de forma mais ordenada (ajudas, governos), ou abençoa a alguns com suprimentos especiais (mostrando misericórdia, etc.). Um grande número de dons concernentes ao ministério da palavra (ensino, profecia, etc.). Aqueles dons, dados unicamente para suprir as necessidades das igrejas apostólicas eram obviamente temporários. Isso inclui todos os dons de sinais e qualquer dom que envolva a revelação direta aparte da Bíblia.
Notando os vários tipos de dons espirituais deveríamos mencionar também que certos homens talentosos estão na lista (I Coríntios 12:28-29). Os homens que ocupam estas posições têm que possuir indubitavelmente mais do que um dom que leve a cabo os seus trabalhos. Eles próprios são dons à igreja (Efésios 4:7-12). Alguns destes ofícios como Apóstolo e Profeta eram temporários, no sentido de possuírem autoridade para fundamentarem a base cristã. Esta base já está fundamentada, o cânon já está fechado, portanto não existem mais apóstolos e profetas como houve no início da igreja.

F – O Regulamento dos Dons do Espírito
Considerando que os dons espirituais são dados para o benefício do corpo, e eles devem ser regulados de maneira que esta finalidade seja alcançada. Enquanto são determinadas regras específicas (I Coríntios 14:27-35), o preceito geral é:
·         Permitir que o amor para com os outros controle as nossas ações.  O amor é tão importante no exercício de dons espirituais que a maior exposição de amor na Bíblia é encontrada em meio a uma discussão sobre dons espirituais (l Coríntios 13:1-13).
·         Aqueles que possuem dons espirituais devem controlá-los.
Conforme 1 Coríntios 14:32-33 os dons estão sujeitos àqueles que o possuem. Portanto aqueles que perturbam os cultos de adoração com ações descontroladas não podem atribuir o seu comportamento ao poder do Espírito de Deus.


13 – OS NOVE DONS ESPIRITUAIS

1) A palavra de sabedoria: Por essa expressão o pronunciamento ou a declaração de sabedoria. Que tipo de sabedoria? Isso determina melhor notando em quais sentidos se usa a palavra “sabedoria” no Novo Testamento. É aplicada à arte de interpretar sonhos e dar conselhos sábios (Atos 7:10); à inteligência mostrada ao esclarecer o significado de algum número ou visão misteriosos (Ap 13:8; 17:9); prudência em tratar assuntos (Atos 6:3); habilidades santas no trato com pessoas de fora da Igreja (Cl 4:5); jeito e discrição em comunicar verdades cristãs (Cl 1:28); o conhecimento e prática dos requisitos para uma vida piedosa e reta (Tg 1:5; 3:13, 17); o conhecimento e habilidades necessários para uma defesa eficiente da causa de Cristo (Lc 21:15); um conhecimento prático das coisas divinas e dos deveres humanos, unido ao poder de exposição concernente a essas coisas e deveres e de interpretar e aplicar a Palavra Sagrada (Mt 13:54; Mc 6:2; Atos 6:10); a sabedoria e instrução que João Batista e Jesus ensinaram aos homens o plano de salvação (Mt 11:19). Nos escritos de Paulo “a sabedoria” aplica-se a um conhecimento do plano divino, previamente escondido, de prover aos homens a salvação por meio da expiação de Cristo (I Co 1:30; Cl 2:3); por conseguinte, afirma-se que em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e ciência” (Cl 2:3); a sabedoria de Deus é manifestada na formação e execução dos seus conselhos (Rm 11:33). A palavra de sabedoria, pois, parece significar habilidade ou capacidade sobrenatural para expressar conhecimento nos sentidos supramencionados.

O que significa?
            a) É saber defender o Evangelho, é ter o dom de apologista.
            b) É também saber o que é prático para o funcionamento do corpo de Cristo.

            Em que circunstância ele se manifesta?
            a) Diante de situações de dificuldade: Lc 21:14-15.
            b) Se manifesta também em questões de divisões dentro da igreja I Co 6:5.
            c) Antes de qualquer coisa se manifesta nas atitudes: Tg 3:13-18.

            2) A palavra de ciência ou conhecimento: É um pronunciamento ou declaração de fatos, inspirados dum modo sobrenatural. Em quais assuntos? Um estudo do uso da palavra “ciência” nos dará a resposta. A palavra denota: o conhecimento de Deus, tal como é oferecido nos Evangelhos (II Co 2:14), especialmente na exposição que Paulo fez (II Co 10:5), o conhecimento das coisas que pertencem a Deus (Rm 11:13); inteligência e entendimento (Ef 3:19); o conhecimento da fé cristã (Rm 15:14; I Co 1:5); o conhecimento mais profundo, mais perfeito e mais amplo da vida cristã, tal como pertence aos mais avançados (I Co 12:8; 13:2, 8; 14:6; II Co 6:6; 8:7; 11:16); o conhecimento mais elevado das coisas divinas e cristãs das quais os falsos mestres se jactam (I Tm 6:20); sabedoria moral como se demonstra numa vida reta (II Pd 1:5); e nas relações com os demais (I Pd 3:7); o conhecimento concernente as coisas divinas e aos deveres humanos (Rm 2:20; Cl 2:3).
            Qual a diferença entre sabedoria e ciência? Segundo um erudito, ciência é o conhecimento profundo ou a compreensão das coisas divinas, a sabedoria é o conhecimento prático ou habilidade que ordena ou regula a vida de acordo com seus princípios fundamentais. O dicionário de Thayer declara que onde “ciência” e “sabedoria” se usam juntas, a primeira parece ser o conhecimento considerado em si mesmo; a outra, o conhecimento manifestado em ação. "SABEDORIA É O CONHECIMENTO CORRETAMENTE APLICADO".

a) Significa descobrir, acumular e esclarecer informações valiosas.
            b) É o dom dos teólogos e dos pensadores piedosos.

            3) Fé: (Weymouth traduz: “fé especial”). A fé salvadora é descrita como um dom (Ef 2:8-9) por muitos, entretanto acredito que esta descrição é um erro de interpretação do texto de Ef 2:8-9. De qualquer forma em Ef 2:8-9 a palavra “dom” é usada em oposição às “obras”, enquanto em I Co 12:9 a palavra usada significa uma dotação especial do poder do Espírito. Que é o dom da fé? Donald Gee descreve-o da seguinte maneira:... uma qualidade de fé, às vezes chamada por nossos teólogos antigos, a “fé miraculosa”. Parece vir sobre alguns dos servos de Deus em tempos de crise e oportunidades especiais dumas maneira tão poderosa, que são elevados para fora do reino da fé natural e comum em Deus, de forma que tem uma certeza posta em suas almas que os faz triunfar sobre tudo... possivelmente essa mesma qualidade de fé é o pensamento de nosso Senhor quando disse em Marcos 11:22 “Tende a fé de Deus”. Era uma fé desta qualidade especial de fé que ele podia dizer, que um grão dela podia mover uma montanha (Mt 17:20). Um pouco dessa fé divina, que é um atributo do Todo Poderoso, posto na alma do homem - que milagres pode produzir! Veja exemplos da operação do dom em I Rs 18:33-35; Atos 3:4.

a) Não se trata da fé salvadora, é mais do que isso, é uma visão grande e dilatada. É a visão do que se pode ser feito, é a coragem para aceitar desafios e saber que o pior passará.

            4) Dons de curar: Dizer que uma pessoa tenha os dons (note-se o plural, talvez referindo-se a uma variedade de curas) significa que são usados por Deus duma maneira sobrenatural para dar saúde aos enfermos por meio da oração. Parece ser um dom sinal, de valor especial ao evangelista para atrair o povo ao Evangelho (Atos 8:6-7; 28:8-10). Não se deve entender que quem possui este dom (ou pessoa possuída por esse dom) tenha o poder de curar a todos; deve dar-se lugar a soberania de Deus à atitude e condição espiritual do enfermo. O próprio Cristo foi limitado em sua capacidade de operar milagres por causa da incredulidade do povo (Mt 13:58). A pessoa enferma não depende inteiramente de quem possua o dom. Todos os crentes em geral, e os anciãos da Igreja em particular, estão dotados de poder para orar pelos enfermos (Mc 16:18; Tg 5:14).

a) É servir de instrumento para cura de doenças ou enfermidades.
b) Possuir este dom não garante àquele que o possui que as pessoas à volta sempre serão curadas, bastando apenas que ore por elas.

            5) Operação de milagres: Literalmente “obras de poder”. A chave é o Poder (Jo 14:12; At 1:8). Os milagres “especiais” em Éfeso são uma ilustração da operação do dom (At 19:11-12; 5:12-15).

1. É servir de instrumento para Deus realizar coisas maravilhosas.
2. Que coisas podem ser essas?
a) Realização ou tarefas impossíveis.
b) Operações, realizações espirituais.
c) Curas extraordinárias, expulsão de demônios, fatos estes realizados mesmo a distância.

            6) Profecia: A profecia, geralmente falando; é a expressão vocal inspirada pelo Espírito Santo de Deus. A profecia bíblica pode ser mediante revelação, na qual o profeta proclama uma mensagem previamente recebida por meio dum sonho, uma visão, ou pela Palavra do Senhor. Pode ser também estática, uma expressão de inspiração do momento. Há muitos exemplos bíblicos de ambas as formas. A profecia extática e inspirada pode tomar a forma de exaltação e adoração a Cristo, admoestação exortativa, ou de conforto e encorajamento inspirando os crentes. - J. F. R.
            A profecia se distingue da pregação comum em que, enquanto a última é geralmente  o produto do estudo de revelação existente, a profecia é o resultado da inspiração espiritual espontânea. Não se tenciona suplantar a pregação ou o ensino, senão completá-los com o toque da inspiração. Guarde bem a profecia não traz novas revelações, tudo que é dito por meio da profecia deve encontrar respaldo na Bíblia.
            A possessão do dom constituía a pessoa “profeta” (At 15:32; 21:9; I Co 14:29). O propósito do dom de profecia do Novo Testamento é declarado em I Co 14:3 - o profeta edifica, exorta e consola os crentes.
            Donald Gee diz em seu livro "A Respeito dos Dons Espirituais"[5] que existe o dom da profecia e o oficio do profeta. Donald Gee entende que embora uma pessoa pode ser usada pelo Espírito Santo em um determinado momento para profetizar, não significa com isso que ela seja profeta, o que ocorreu foi apenas uma manifestação do dom profético. Veja o que diz Gee em seu livro a respeito das pessoas que correm atrás de profecias: "Atualmente, o privilégio é de todos os crentes receberem pessoalmente direções do Espírito de Deus (Rm 8:14); pode-se afirmar, com toda a ênfase, que na dispensação atual não precisamos de profetas, nem de sacerdotes, para o Senhor estar entre nós; e se nos submetermos por um momento que seja, a tal sistema, será um passo para trás e para a escravidão."
            A inspiração manifestada no dom de profecia não está no nível da inspiração das Escrituras. Isso está implícito pelo fato de que os crentes são instruídos aprovar ou julgar as mensagens proféticas (I Co 14:29). Por que julgá-las ou prová-las? Uma razão é a possibilidade de o espírito humano (Jr 23:16; Ez 13:2-3) confundir sua mensagem com a divina ou ainda espíritos imundos e mentirosos (Is 8:19,20; 1 Rs 22:22; Mt 8:29 e At 16:17). I Ts 5:19-20 trata da operação do dom da profecia. Os conservadores tessalonicenses foram tão longe em sua desconfiança quanto a esses dons (v. 20), que estavam em perigo de extinguir o Espírito (v.19); mas Paulo lhes disse que provassem cada mensagem (v.21) e que retivessem o bem (v.21), e que se abstivessem daquilo que tivesse aparência do mal (v.22).
            Deve a profecia ou a interpretação ser dada na primeira pessoa do singular, como por exemplo: “Sou eu, o Senhor, que vos estou falando, povo meu”? A pergunta é muito importante, porque a qualidade de certas mensagens tem feito muita gente duvidar se foi o Senhor mesmo quem falou dessa maneira. A resposta depende da idéia que tenhamos do modo da inspiração. Será mecânica? Isto é, Deus usa a pessoa como se fosse um microfone, estando a pessoa inteiramente passiva, e tornando-se simplesmente um porta-voz? Ou será o método dinâmico? Isto é, Deus vivifica dum modo sobrenatural a natureza espiritual (note: “meu espírito ora” em I Co 14:14), capacitando a pessoa a falar a mensagem divina em termos fora do alcance natural das faculdades mentais?
            Se Deus inspira segundo o primeiro método mencionado, a primeira pessoa do singular, naturalmente, seria usada; de acordo com o segundo método a mensagem seria dada na terceira pessoa; por exemplo: “O Senhor deseja que o seu povo olhe para cima e que se anime, etc.”. Muitos obreiros experientes crêem que as interpretações e mensagens profética devem ser usadas na terceira pessoa do singular (Lc 1:67-79; I Co 14:14-15).

            7) Discernimento de espíritos: Vimos que pode haver uma inspiração falsa, a obra de espíritos enganadores ou do espírito humano. Como se pode perceber a diferença? Pelo dom de discernimento que dá capacidade ao possuidor para determinar se o profeta está falando ou não pelo Espírito de Deus. Esse dom capacita o possuidor para “enxergar” todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza duma inspiração. A operação do dom do discernimento pode ser examinada por duas outras provas: a doutrinária (I Jo 4:1-6) e a prática (Mt 7:15-23). A operação desse dom é ilustrada nas seguintes passagens: Jo 1:47-50; 2:25; 3:1-3; II Rs 5:20-26; At 5:3; 8:23; 16:16-18. Essas referências indicam que o dom capacita a alguém a discernir o caráter espiritual de uma pessoa. Distingue-se esse dom da percepção natural da natureza humana, e mui especialmente dum espírito crítico que procura falta nos outros.

1. Significa saber se certas doutrinas, atitudes e motivações são de Deus ou do diabo – de uma forma extraordinária e até mesmo sobrenatural.
            2. Para que serve esse dom?
            a) Para identificar os espíritos enganadores que se fazem muitas vezes de anjos de luz.
            b) Para identificar os verdadeiros profetas.

            8) Línguas: “Variedade de línguas”. “O dom de línguas é o poder de falar sobrenaturalmente em uma língua nunca aprendida por quem fala, sendo essa língua feita inteligível aos ouvintes por meio do dom igualmente sobrenatural de interpretação”. Parece haver duas classes de mensagens em línguas: primeira, louvor em êxtase dirigido a Deus somente (I Co 14:5); segunda, uma mensagem definida para a Igreja (I Co 14:5). Distingue-se (alguns o fazem) entre as línguas como sinal e línguas como dom. A primeira é para todos (Atos 2:4); a outra não é para todos (I Co 12:30)[6].
Esse dom é considerado como destinado principalmente, se não inteiramente, para as devoções particulares (1 Co 14:2).
            "A glossolalia é buscada e usada como parte da busca de uma comunhão mais íntima com Deus e, normalmente, demonstra ser benéfica em nível consciente, propiciando alívio de tensões, um certo gozo interior e uma sensação fortificante da presença e benção de Deus."[7]
          
8.1) A Contemporaneidade das línguas
         No que se refere ao seu propósito de edificação da Igreja, o Novo Testamento, entretanto, não explicita a cessação ou continuação do dom de línguas além do período apostólico. Assim, a questão da contemporaneidade do dom de línguas não pode ser determinada de forma final a partir dos dados escriturísticos. Em geral, podemos mencionar duas posições antagônicas sobre o assunto: a de que as línguas cessaram como um todo, e a de que as línguas permanecem hoje como durante o período apostólico.
         Os que crêem na cessação absoluta do dom de línguas têm, às vezes, apelado para 1 Co 13:10 como evidência. Entretanto, esta passagem não pode ser usada como prova indiscutível da cessação das línguas, visto que não é claro no texto que to/te/leion, "o que é perfeito", se refira ao fechamento do Cânon, o texto faz referência na verdade a Segunda Vinda de Cristo.

            9) Interpretação de línguas: Assim escreve Donald Gee: “O propósito do dom de interpretação é tornar inteligíveis as expressões do êxtase inspiradas pelo Espírito que se pronunciaram em uma língua desconhecida da grande maioria presente, repetindo-se claramente na língua comum do povo congregado”.
            É uma operação puramente espiritual. O mesmo Espírito que inspirou o falar em outras línguas, pelo qual as palavras pronunciadas procedem do Espírito e não do intelecto, pode inspirar também a sua interpretação. A interpretação é portanto, inspirada, extática e espontânea. Assim como o falar em língua não é concebido na mente, da mesma maneira, a interpretação emana do Espírito antes que do intelecto do homem.
            Nota-se que as línguas em conjunto com a interpretação tomam o mesmo valor de profecia (I Co 14:5). Por que, então, não nos contentarmos com a profecia? Porque as línguas são um “sinal” para os incrédulos (I Co 14:22).

1. Atenção: este não é um dom de tradução. Não se trata de ser perito em lingüística, mas intérprete.
2. Quem fala em línguas pode interpretar (caso tenha o dom de interpretação) a si mesmo ou ser interpretado por terceiros (por aqueles que tenha o dom de interpretação).
3. A interpretação deverá ser uma oração, exaltação a Deus ou uma mensagem.

            Nota: Já se sugeriu que os ministérios enumerados em Rm 12:6-8 e em I Co 12:28, também devem ser incluídos sob a classificação de “charismata” - ampliando-se dessa forma o alcance dos dons espirituais para incluir os ministérios inspirados pelo Espírito.

Regulamento dos dons.
            A faísca que fende as árvores, queima casas e mata gente, é da mesma natureza da eletricidade gerada na usina que tão eficientemente ilumina as casas e aciona as fábricas. A diferença está apenas em que  a da usina é controlada. Em I Co capítulo 12, Paulo revelou os grandiosos recursos espirituais de poder disponível para a igreja, no cap. 14 ele mostra como esse poder deve ser regulado, de modo que edifique, em lugar de destruir, a igreja. A instrução era necessária, pois uma leitura desse capítulo demonstrará que a desordem havia reinado em algumas reuniões, devido à falta de conhecimento das manifestações espirituais. O capítulo 14 expõe os seguintes princípios para esse regulamento:

            a) Valor proporcional: (vs. 5-10) Os coríntios haviam-se inclinado demasiadamente para o dom de línguas, indubitavelmente por causa de sua natureza espetacular. Paulo lembra-lhes que a interpretação e a profecia eram necessárias para que o povo pudesse ter conhecimento inteligente do que estava dizendo.

            b) Edificação: O propósito dos dons é a edificação da igreja, para encorajar os crentes e converter os descrentes. Mas, diz, Paulo, se um de fora entra na igreja e tudo o que ouve é falar em línguas sem interpretação, bem concluirá: esse povo é demente (vs. 12, 23).

            c) Sabedoria: (vs. 20) “Irmãos, não sejais meninos no entendimento”. Em outras palavras: “Usai o senso comum”.

            d) Autodomínio: (v. 32) Alguns coríntios poderiam protestar assim: “Não podemos silenciar, quando o Espírito Santo vem sobre nós, somos obrigados a falar. Mas Paulo responderia: Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas”. Isto é, aquele que possui o dom de línguas pode dominar sua expansão e falar unicamente a Deus, quando tal domínio seja necessário.

            e) Ordem: (v. 40) “Mas faça-se tudo decentemente e com ordem”. O Espírito Santo, o grande arquiteto do universo com toda a sua beleza, não inspirará aquilo que seja desordenado e vergonhoso. Quando o Espírito Santo está operando com poder, haverá uma comoção e um movimento, e aqueles que aprenderam a render-se a ele não criarão cenas que não edifiquem.

            f) Suscetível de ensino: Infere-se dos versos 36 e 37 que alguns dos coríntios haviam ficado ofendido pela crítica construtiva de seus dirigentes. Estamos falando de como usá-los e compreende-los na edificação do corpo.

            Nota 1: Infere-se, pelo cap. 14 de I Coríntios, que existe poder para ser governado. Portanto, o capítulo seria sem nenhum significado para uma igreja que não experimenta as manifestações do Espírito. É muito certo que os coríntios haviam descarrilado quanto aos dons espirituais. Entretanto, ao menos tinham um trilho e uma estrada! Se Paulo tivesse agido como alguns críticos modernos, teria removido até a estrada e os trilhos! Em lugar disso, ele sabiamente os colocou sobre os trilhos para prosseguirem viagem!

            Quando a igreja do segundo e terceiro séculos reagiu contra certas extravagâncias, ela inclinou-se para o outro extremo e deixou muito pouco lugar para as operações do Espírito. Mas essa é apenas uma parte da explicação do arrefecimento do entusiasmo da igreja e a cessação geral das manifestações espirituais. Cedo na história da igreja começou um processo centralizador de sua organização e a formação de credos dogmáticos inflexíveis. Ainda que isso fosse necessário como defesa contra as falsas seitas, tinha a tendência de impedir o livre movimento do Espírito e fazer do cristianismo uma questão de ortodoxia mais do que vitalidade espiritual.

            Assim escreve o Dr. T. Rees: No primeiro século, o Espírito era conhecido por suas manifestações, mas do segundo século em diante era conhecido pela regra da igreja, e qualquer fenômeno espiritual que não tivesse em conformidade com essa regra era atribuído a espíritos maus. As mesmas causas, nos tempos modernos, têm resultado em descuido da doutrina e da obra do Espírito Santo, descuido reconhecido e lamentado por muitos dirigentes religiosos. Apesar desses fatos, o poder do Espírito Santo nunca deixou de romper todos os impedimentos do indiferentismo e formalismo, e operar com força vivificadora.

            Nota 2: Devemos diferenciar entre manifestações e reações. Tomemos a seguinte ilustração: a luz da lâmpada elétrica é uma manifestação da eletricidade; é da natureza da eletricidade manifestar-se na forma de luz. Mas quando alguém toma um choque elétrico e solta um grito ensurdecedor, não podemos dizer que o grito seja manifestação de eletricidade, porque não está na natureza da eletricidade manifestar-se em voz audível. O que aconteceu foi a reação da pessoa à corrente elétrica! Naturalmente a reação dependerá do caráter e temperamento da pessoa. Algumas pessoas calmas e de “sangue frio” apenas suspirariam, ofegantes, sem dizer nada.

            Apliquemos essa regra ao poder espiritual. As operações dos dons em I Co 12:7-10 são biblicamente descritas como manifestações do Espírito. Muitas ações, porém em geral chamadas “manifestações”, realmente são reações da pessoa ao movimento do Espírito. Refiro-me a tais ações como gritar, chorar, levantar as mãos e outras cenas.
            Que valor prático há no conhecimento desta distinção? 1) Ajudar-nos-á a honrar e reconhecer a obra do Espírito sem atribuir a ele tudo o que se passa nas reuniões. Os críticos, ignorando a referida distinção, incorretamente concluem que a falta de elegância ou estética na manifestação de certa pessoa prova que ela não é inspirada pelo Espírito Santo. Tais críticos poderiam ser comparados ao indivíduo que, ao ver os movimentos grotescos de quem tivesse tomando forte choque elétrico, exclamasse: “A eletricidade não se manifesta assim”! O impacto do Espírito Santo é de tal forma comovente, que bem podemos desculpar a frágil natureza humana por não se comportar como se fosse uma influência mais gentil. 2) O conhecimento dessa distinção, naturalmente, estimulará a reagir ao movimento do Espírito duma maneira que sempre glorifique a Deus. Certamente é tão injusto criticar as extravagâncias dum novo convertido como criticar as quedas e tropeços da criancinha que aprende a andar. Mas ao mesmo tempo, orientado por I Co 14, é claro que Deus quer que seu povo reaja ao Espírito, duma maneira inteligente, edificante e disciplinada. “Procurai abundar nele, para edificação da igreja” I Co 14:12.

Recebimento dos dons. Requisito.
            Deus é soberano na questão de outorgar os dons; é ele quem decide quanto à classe de dom a ser outorgado. Ele pode conceder um dom sem nenhuma intervenção humana, e mesmo sem a pessoa pedir (que isso fique bem claro). Mas geralmente Deus age em cooperação com o homem, e há alguma coisa que o homem pode fazer nesse caso. Que se requer daqueles que desejam os dons?

a) Submissão à vontade divina: A atitude deve ser, não o que eu quero, mas o que ele quer. Às vezes queremos um dom extraordinário, e Deus pode decidir por outra coisa.

            b) Desejo santo: “Procurai com zelo os melhores dons” I Co 12:31; 14:1. Muitas vezes o desejo pelo "poder" tem conduzido as pessoas à ruína e ao prejuízo, mas isso não é razão de não desejarmos "poder do Espírito" para nos consagrarmos ao serviço de Deus.

            c) Desejo ardente: Pelos dons naturalmente resultará em oração, e sempre em submissão a Deus (I Rs 3:5-10; II Rs 2:9-10).

            d) Fé: Alguns tem perguntado o seguinte: “Devemos esperar pelos dons?” Posto que os dons espirituais são instrumentos para edificação da igreja, parece razoável começar a trabalhar para Deus e confiar nele a fim de que conceda o dom necessário para a tarefa particular. Desse modo o professor da Escola Dominical confiará em Deus para a operação dos dons necessários a um mestre; da mesma maneira o pastor, o evangelista e os leigos. Uma boa maneira de receber os dons espirituais é estar na “obra de Deus”, em vez de estar sentado, de braços cruzados, esperando que o dom caia do céu.

            e) Aquiescência: O fogo da inspiração pode ser extinguido pela negligência; daí a necessidade de despertar (literalmente “acender”) o dom que está em nós II Tm 1:6; I Tm 4:14.

A prova dos dons.
            As Escrituras admitem a possibilidade da inspiração demoníaca como também das supostas mensagens proféticas que se originam no próprio espírito da pessoa. Apresentamos as seguintes provas pelas quais se pode distinguir entre a inspiração verdadeira e a falsa.

            a) Lealdade a Cristo: Quando estava em Éfeso, Paulo recebeu uma carta da igreja em Corinto contendo certas perguntas, uma das quais era “concernente aos dons espirituais”. I Co 12, verso 3, sugere uma provável razão para a pergunta. Durante uma reunião, estando o dom da profecia em operação, ouviam-se uma voz que gritava: “Jesus é maldito”. É possível que algum adivinho ou devoto do templo pagão houvesse assistido a reunião, e quando o poder de Deus desceu sobre os cristãos, esses pagãos se entregaram ao poder do demônio e se opuseram a confissão: “Jesus é o Senhor”, com a negação simbólica: “Jesus é maldito” A história das missões modernas na China e em outros países oferece casos semelhantes.
            Paulo imediatamente explica aos coríntios, desanimados e perplexos, que há duas classes de inspiração: a divina e a demoníaca, e explica a diferença entre ambas. Ele lhes lembra os impulsos e êxtase demoníacos que haviam experimentado ou presenciado em algum templo pagão, e assinala que essa inspiração conduz a adoração dos ídolos (I Co 10:20). De outra parte, o Espírito de Deus inspira as pessoas a confessarem  a Jesus como Senhor. “Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor senão pelo Espírito Santo” (I Co 12:3; Ap 19:10; Mt 16:16-17; I Jo 4:1-2).
            Naturalmente isso não significa que a pessoa não pode dizer, como um papagaio, que Jesus é o Senhor. O sentido verdadeiro é que ninguém pode expressar a sincera convicção sobre a divindade de Jesus sem a iluminação do Espírito Santo (Rm 10:9).

            b) A prova prática ou moral: Os coríntios eram espirituais no sentido de que mostravam um vivo interesse nos dons espirituais (I Co 12:1; 14:12). Entretanto, embora glorificando-se no poder vivificante do Espírito, parecia haver falta do seu poder santificador. Estavam divididos em facções; a igreja tolerava um caso de imoralidade indescritível; os irmãos processavam uns aos outros nos tribunais; alguns estavam retrocedendo para os costumes pagãos; outros participavam da Ceia do Senhor em estado de embriaguez.
            O teste moral é feito por declarações como as de João, de que aquele que verdadeiramente conhece e ama a Deus, mostrará isto guardando seus mandamentos, evitando todo pecado e amando seus irmãos em Cristo (1 Jo 2:4; 3:9,10,17,24; 4:7-13,20,21; 5:1-3).
            Podemos estar seguros de que o apóstolo não julgou asperamente esses convertidos, lembrando-se da vileza pagã da qual recentemente haviam sido resgatados e das tentações de que estavam rodeados. Porém ele sentiu que os coríntios deviam ficar impressionados com a verdade de que por muito importantes que fossem os dons espirituais, o alvo supremo de seus esforços devia ser o caráter cristão e a vida reta. Depois de encorajá-los a que “procurassem os melhores dons” (I Co 12:31), ele acrescenta o seguinte: “Eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente”. A seguir vem seu sublime discurso sobre o amor divino, a coroa do caráter cristão.
            Mas aqui devemos ter cuidado de distinguir as coisas que diferem entre si. Aqueles que se opõem ao falar em línguas (que são antibíblicos em sua atitude, I Co 14:39), afirmam que se faria melhor buscar o amor, que é um dom supremo. Eles são culpados de confundir os pensamentos. O amor não é um dom, mas um fruto do Espírito. O fruto do Espírito é o desenvolvimento progressivo da vida de Cristo enxertada pela regeneração; ao passo de que os dons podem ser outorgados repentinamente a qualquer crente cheio do Espírito, em qualquer ponto de sua experiência. O primeiro representa o poder santificador do Espírito, enquanto o segundo implica seu poder vivificante.
            Não obstante, ninguém erra em insistir pela supremacia do caráter cristão. Por muito estranho que pareça, é um fato comprovado que pessoas deficientes na santidade podem exibir manifestações do dons. Devemos considerar os seguintes fatos: 1) o batismo no Espírito Santo não faz a pessoa perfeita de uma vez. A dotação do poder é uma coisa; a madureza nas graças cristãs é outra. Tanto o novo nascimento como o batismo do Espírito Santo são dons da graça de Deus e revelam sua graça para conosco. Todavia, pode haver a necessidade duma santificação pessoal que se obtenha por meio da operação do Espírito Santo, revelando pouco a pouco a graça de Deus em nós. 2) A operação dos dons não tem um poder santificador. Balaão experimentou o dom profético, embora no coração desejasse trair o povo de Deus por dinheiro. 3) Paulo nos diz claramente da possibilidade de possuir os dons sem possuir o amor.
            Sérias conseqüências podem sobrevir àquele que exercita os dons à parte do amor. Primeiro, será uma pedra de tropeço constante para aqueles que conhecem o verdadeiro caráter; segundo, os dons não lhe são de nenhum proveito. Nenhuma quantidade de manifestações espirituais, nenhum zelo no ministério, nenhum resultado alcançado, podem tomar o lugar da santidade pessoal (Hb 12:14).

            c) A prova doutrinária: O Espírito Santo veio operar na esfera da verdade com relação à deidade de Cristo e sua obra expiatória. É inconcebível que ele contradissesse o que já foi revelado por Cristo a seus apóstolos. Portanto, qualquer profeta, por exemplo, que negue a encarnação de Cristo, não está falando pelo Espírito de Deus (I Jo 4:2-3).

            "Quando aplicamos estes testes ao movimento carismático, torna-se imediatamente claro que Deus está nele, porque, quaisquer que sejam as ameaças, e talvez até casos concretos de ocultismo e contrafacção espiritual que pensarmos que detectamos na sua periferia (e que movimento de reavivamento jamais ficou isento destas coisas na sua periferia?), o seu efeito mais importante em toda a parte tem sido promover uma fé trinitária robusta, uma comunhão pessoal com o divino Salvador e Senhor que encontramos no Novo Testamento, arrependimento, obediência e amor aos irmãos de fé, expresso em ministério de todas as sortes em favor deles – mais um zelo pelo esforço evangelistico que faz corar de vergonha clérigos do tipo mais sossegado."[8]
            Algumas pessoas, notando os erros que se diz serem verificados na experiência carismática, enveredaram pelo caminho de rejeição total aos dons espirituais. Erram, pois segundo a palavra de Deus na devemos ser ignorantes neste assunto (1 Co 12:1).

Erros cometidos pelos carismáticos.
1 – A teologia do Espírito Santo como segunda benção. Veja o que diz a Bíblia em
1 Co 12:13; Ef 1:13; 4:5.
2 – Língua como evidencia do Batismo do Espírito Santo. Veja o que diz a Palavra em At 6:3,5; 7:55; 9:17; 11:24; 13:9,52.


14 – O FRUTO DO ESPÍRITO
Em Gálatas 5:17, nós encontramos que dentro do crente existem dois poderes contrários. O Espírito de Deus, que habita em todos os crentes, os conduz (vs. 18) no caminho da retidão. A carne (velha natureza) está claramente em oposição ao Espírito Santo e a nova natureza. Isto produz uma batalha constante na vida de todos os cristãos (Romanos 7:15-23), e os faz almejar a liberação da carne (Romanos 7:24-25; 8:23).
Paulo ensina que ambos os poderes produzirão certas características e obras na vida de um indivíduo que se submetem a eles (Gálatas 5:19-23). Mesmo que o "trabalho da carne" e o "fruto do Espírito"[9], possam ser produzidos pela vida do crente, Paulo frisou claramente que os crentes são caracterizados pelos frutos do Espírito. A carne de um cristão não está morta, mas foi crucificada (Gálatas 5:24). A "crucificação" e a "mortificação" são usadas na Bíblia para descrever a morte lenta e debilitada do poder da carne na vida de um Cristão. Aqueles cujas vidas são exibições constantes de trabalhos da carne não entrarão no reino de Deus (Gálatas 5:21).

A – A Fonte dos Frutos do Cristão
Os crentes, às vezes, perguntam-se: “Por quê permanecemos lutando contra a carne nesta vida”? Isso se deve porque nossa velha natureza não produz nada além de espinhos e roseiras bravas. O crente, mesmo após receber a justificação, mesmo estando em regeneração pelo Espírito, mesmo sendo salvo, continua pecador. Tudo o que agrada a Deus em um Cristão deve ser chamado de "fruto do Espírito".
O Cristão pode produzir bons frutos somente em submissão ao Espírito Santo. Enquanto nós nos rendemos a Ele estas características são produzidas em nossa vida. Esta verdade é ilustrada pelo Salvador em João 15:4-5, pois Ele fala de Sua Pessoa como a "videira" e a dos cristãos como as "varas". Sem uma união espiritual com Cristo através do Espírito não haveria fluxo de vida para os filhos de Deus.

B – A Importância dos “Frutos do Espírito”
A importância dos "frutos do Espírito" na vida de um Cristão pode ser vista comparando-os aos "dons do Espírito". Ambos são produzidos por Deus, contudo está claro que os "frutos do Espírito" são muito mais importantes, como prova da verdadeira espiritualidade.
1)      Os "dons do Espírito" não oferecem nenhuma prova da salvação, porque em algumas ocasiões eles foram praticados até mesmo pelos não salvos - (Balaão, Judas). Os "Frutos do Espírito" porém, podem ser produzidos apenas pelas vidas daqueles que são guiados pelo Espírito Santo.
2)      Os "dons do Espírito" podem ser usados como meio de glorificação pessoal ao invés de edificação. A natureza dos "Frutos do Espírito" previnem-se de abusos de fins egoístas (I Cor 12-14).
3)      Os "dons do Espírito" são soberanamente dispensados por Deus, enquanto que todo Cristão pode produzir os "frutos do Espírito". Às vezes dons espirituais são colocados em vidas de orgulhosos e egoístas, enquanto que os frutos espirituais somente podem ser produzidos por consagração Cristã e submissão.
4)      Amor (um Fruto do Espírito) é claramente visto como superior aos "dons do Espírito". (I Coríntios 12:31-13:13). Os "dons do Espírito" devem ser regulados pelo amor, ou eles não atingirão a sua finalidade determinada, que é edificar o povo de Deus.
Não deve ser interpretado que estamos desprezando os dons espirituais. Eles têm um propósito determinado por Deus. O ponto a ser lembrado é que os " frutos do Espírito" revelam nossa relação com Deus e formam nosso caráter Cristão. Sem a produção do Espírito de Cristo em nós pela submissão a Deus, tudo o demais tornar-se-ia em vão e nosso testemunho seria inútil.
          
            C – A Natureza dos “Frutos do Espírito”
Em Gálatas 5:22-23, nós encontramos nove graças que são manifestadas como "frutos do Espírito".
1)      Amor. O amor é um afeto para com Deus e o homem. É produzido pelo novo nascimento (I João 4:7-8), e descrito por Paulo em I Coríntios 13:1-8. Somente quando somos controlados pelo Espírito de Deus podemos verdadeiramente amar.
2)      Gozo. Esse gozo santo vem por conhecer a Deus e crer em suas promessas. É necessário para o serviço cristão (Deuteronômio 28:47; Salmos 51:12-13), e é um atributo de cristãos cheios do Espírito.
3)      Paz. Essa é uma calma disposição da mente e do coração vinda da certeza de termos sido perdoados e sabermos que Deus pode satisfazer todas as nossas necessidades (Filipenses 4:6-7).
4)      Longanimidade. Essa é uma característica cristã que se caracteriza por não se sentir ofendido ou provocado facilmente.
5)      Benignidade  Esse é um espírito amável e benevolente visto naqueles que caminham com Deus.
6)      Bondade. Esta é uma moral geral e excelente que não tem motivos secundários.
7)      Fé. Toda fé verdadeira é produzida pelo Espírito de Deus, seja a fé salvadora ou a fé exercida diariamente nas promessas de Deus quando surgem necessidades ou aflições.
8)      Mansidão. Esta é a disposição de conter-se em conseqüência de um reconhecimento de nossa própria depravação (Mateus 5:4-5).
9)      Temperança. Baseia-se no autocontrole e na moderação encontrados naqueles que vivem somente para a glória de Deus.

D – A Unidade dos “Frutos do Espírito”
Você possivelmente já se deparou com a seguinte pergunta: “Quais dos frutos do Espírito você possui?” Esta pergunta tem algumas implicações errôneas. Os crentes podem ter um dom espiritual, contudo nunca é o caso dos "frutos do Espírito". Cristãos cheios do Espírito terão todos os "frutos do Espírito" porque a "mente de Cristo" (Filipenses 2:5) está neles. Assim que eles são controlados pelo Espírito de Deus tornar-se-ão como Cristo em todas as áreas do seu caráter.
Pode ser vista a unidade dos "frutos do Espírito" pelo fato de que todos os frutos podem ser incluídos junto ao primeiro que é "amor". Em Romanos 13:8-10, achamos que o amor cumpre a lei. Todos os deveres do homem podem ser incluídos sob o comando de amar a Deus e o homem.

15 – PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO
O Espírito Santo tem o trabalho particular de operar nos corações dos homens fazendo com que eles recebam os benefícios salvadores do trabalho de Cristo. Ele habita nos crentes e está presente nas igrejas do Senhor. Ele também condena o não salvo e luta contra os pecadores. Devido o Seu trabalho em nossas vidas e em nosso meio, a Bíblia menciona certos pecados que são cometidos contra Ele, enquanto Ele leva a cabo o Seu trabalho especial. Que Deus possa usar esta lição para fazer de cada um de nós mais sensível ao perigo de desagradar o Espírito de Deus.

A – Blasfêmia Contra o Espírito Santo
Cada Pessoa da Santa Trindade tem um trabalho distinto a fazer no grande plano da redenção. Devido a serem diferentes o seu trabalho e a forma de manifestação, nós achamos que o pecado pode ser perpetrado contra as Pessoas da Trindade em separado (Mateus 12:32). Não ofendemos a um sem ofender ao outro, entretanto Jesus apresenta neste texto uma ordem intercessória.  O Espírito pode abrir os olhos daquele que ofende a Jesus Cristo, mas quem abrirá os olhos daqueles que não conseguem discernir o que o Espírito de Deus está fazendo e a Ele resistem.

A blasfêmia contra o Espírito santo: Mateus 12.31-32: “Por isso, vos declaro: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada. Se alguém proferir alguma palavra contra o Filho do Homem, ser-lhe-á isso perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será isso perdoado, nem neste mundo nem no porvir”.

A maior prova da divindade do Espírito Santo é o pecado imperdoável conforme afirmado por Jesus quando confrontado pelos fariseus quanto à realização dos milagres em seu ministério. Os fariseus atribuíram os milagres de Jesus, executados através do Espírito Santo, a espíritos vulgares - a Belzebu, o chefe dos demônios - desprezando e blasfemando contra a ação do Espírito, o que provocou a reação de Jesus, afirmando que esta blasfêmia jamais seria perdoada neste mundo nem no mundo do porvir. Esta é uma revelação inconteste da dignidade absoluta do Espírito.

B – Mentindo Para o Espírito Santo
Em Atos 4:34-5:11, nós temos a história de Ananias e Safira que mentem para o Espírito Santo.  Mentir para o Espírito Santo é o mesmo que mentir a Deus.
O pecado que eles cometeram não foi devido a segurarem parte do dinheiro, mas a pretensão de dizerem que haviam dado tudo, de forma que recebessem honra por um sacrifício que não fizeram. Eles são os pais de todos os que buscam elogio por uma consagração que não possuem.
Levar tal decepção à igreja é um pecado contra o Espírito Santo. Tentar enganar a igreja é o mesmo que tentar enganar o Espírito, que é o administrador onisciente da assembleia. Os homens se esquecem que mexer com a casa de Deus é o mesmo que mexer com o próprio Deus. Levando a cabo o seu pecado Ananias e Safira estavam tentando a Deus (Atos 5:9), e o seu destino é uma advertência para os que seguiriam os seus passos.


C – Entristecendo o Espírito Santo
Em Efésios 4:30 Paulo nos instrui para que não entristeçamos o Espírito Santo de Deus. O fato do Espírito Santo poder ser entristecido implica em que Ele ama o povo de Deus, isto . Nós podemos entristecer somente aquele cujo amor e generosidade nós desprezamos. É exatamente esta atitude que nos leva a causar grande tristeza ao Espírito Santo. O desprezamos quando não damos ouvido a suas orientações ou quando agimos sem considerar sua pessoa (santidade, bondade, justiça, etc.) que agora habita em nós.
Ele é perfeitamente santo e o pecado ofende a Sua pessoa. São mencionados modos particulares pelos quais o Espírito pode ser entristecido no contexto de Efésios 4:30.
1)      Palavras pecaminosas - Efésios 4:29, 31; e 5:4.
2)      Atitudes pecaminosas - Efésios 4:31.
3)      Atos pecaminosos - Efésios 5:3.

D – Extinguindo o Espírito Santo
Em I Tessalonicenses 5:19, nós somos advertidos contra extinguirmos o Espírito. Isso um crente pode fazer durante um certo tempo endurecendo o seu coração contra a liderança do Espírito.
Devemos estar prevenidos para não abafarmos a voz do Espírito de Deus. Homens como Davi, Abraão e Jonas parecem ter extinguido o Espírito durante algum tempo e pagaram caro por isso. Este pecado seguramente traz castigos e deixa-nos suscetíveis a cometermos muitos enganos.
Modos pelos quais o Espírito é extinguido são os seguintes:
1)      Rebelar-se contra a Palavra inspirada de Deus como é registrada na Bíblia ou a palavra cedida de forma oral pelos profetas (I Tessalonicenses 5:20).
2)      Abafando as repreensões do Espírito quando nós O entristecemos.
3)      Resistindo à liderança interna do Espírito em nossas vidas.

E – Resistindo ao Espírito Santo (não crentes)
Em Atos 7:51, Estevão acusou os judeus por resistirem o Espírito Santo como fizeram os seus pais (Hebreus 3:7-10, e Isaías 63:10). Em Gênesis 6:3, Deus fala do Espírito contendendo com as pessoas antes do dilúvio. Alguns tentaram interpretar estas Escrituras como se estivessem apenas se referindo a rebelião das pessoas contra a Palavra de Deus. Eles concluem falsamente pensando que o seu trabalho nos eleitos significa que ele nunca trabalha nos corações daqueles que não serão salvos. A rebelião contra a palavra de Deus é um ato de resistência ao Espírito Santo, contudo não há nenhuma razão para afirmarmos que Ele não lide pessoalmente com aqueles que nunca são salvos. Como outras das bênçãos da graça comum (a chamada do evangelho) o trabalho do Espírito com o não eleito só não é eficaz devido à depravação dos seus corações.

16 – A ATUAÇÃO DO ESPÍRITO NO REINO VINDOURO
O reino de Cristo vindo sobre a Terra. A Bíblia liga a glória do futuro reinado de Cristo ao poder do Espírito (Isaías 11:1-4; 42:1-4).

A – Na Tribulação
O Espírito produzirá a salvação e enchimento (plenitude) – Zc 12.10; Joel 2.28-32).

B – No Reino
O Espírito Santo estará sobre o Rei (Is 11.2-3).

O Espírito habitará no povo de Deus (Jr 31.33).



Bibliografia:


Berkhof, Louis. Teologia Sistemática, Campinas, Luz para o Caminho.
Chafer, Lewis Sperry. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Dagg, John Leadley. Manual de Teologia, S. J. Campos, Fiel.
Erickson, M.J. Introdução à Teologia Sistemática, São Paulo, Vida Nova.
Grudem, Wayne. Teologia Sistemática, São Paulo, Vida Nova.
Hodge, Charles. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Langston, A.B. Esboço de Teologia Sistemática, Rio de Janeiro, JUERP.
Severa, Zacrias de Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. Curitiba. A. D. Santos Editora.
Strong, A.H. Teologia Sistemática, São Paulo, Hagnos.
Thiessen, Henry C. Palestras em Teologia Sistemática, São Paulo, Imprensa Batista Regular.
Ron Crisp. Estudo Sobre Espírito Santo - Tradução: Albano Dalla Pria - www.palavraprudente.com.br

sábado, 7 de janeiro de 2017

As sete características da ceia do Senhor



Por: Jânio Santos de Oliveira



 Presbítero e professor de teologia da Igreja

 Assembléia de Deus no Estácio

Rua Hadok Lobo, nº 92 - Pastor Presidente Jilsom

 Menezes de Oliveira

Contatos: (21)36527277  (21)980519915(tim)

(21)990647385(claro)

Email janio-estudosdabiblia@bol.com.br

Facebook www.facebook.com/janiosantosde Oliveira

Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!


Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, senão para pior.
Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio.
E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.
De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor.
Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se.
Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo.
Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão;
E, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim.
Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim.
Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha.
Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.
Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.
Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor.
Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.
Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

(1 Co 11.17-32) 
A Ceia do Senhor é uma experiência que estremece a alma por causa da profunda significação que traz. Foi durante a antiga celebração da Páscoa, na véspera de Sua morte, que Jesus instituiu uma nova e significante refeição, uma “refeição de comunhão”, a qual observamos até os dias de hoje, e que é a mais alta expressão da adoração cristã. É um “sermão vivido”, relembrando a morte e ressurreição de nosso Senhor, e vislumbrando o futuro em que retornará em Sua glória.

A Páscoa era a festividade mais sagrada do ano religioso judaico. Comemorava a praga final no Egito, quando os primogênitos dos egípcios morreram e os israelitas foram poupados por causa do sangue de um cordeiro que fora aspergido em seus portais. Então o cordeiro foi assado e comido com pão sem levedura. A ordem de Deus foi que através das gerações vindouras a festividade fosse celebrada. A história está registrada em Êxodo 12.

Durante a celebração, Jesus e os discípulos possivelmente cantaram juntos um ou mais dos “Salmos Aleluia” (Salmos 111-118). Jesus, tomando o pão, deu graças a Deus. Ao parti-lo e distribuir aos discípulos, disse: “Tomai, comei; este é o Meu corpo que é partido por vós.” Do mesmo modo, tomou o cálice, e depois de ceiar, deu-lhes o cálice, e dele beberam. Ele disse: “Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós; fazei isto em memória de Mim.” Ele concluiu a ceia cantando um hino e eles saíram pela noite até ao Monte das Oliveiras. Foi lá que Jesus foi traído, como predito, por Judas. No dia seguinte, Ele foi crucificado.

Os relatos da Ceia do Senhor são encontrados nos Evangelhos, em Mateus 26:26-29, Marcos 14:17-25, Lucas 22:7-22 e João 13:21-30. O Apóstolo Paulo escreveu a respeito da Ceia do Senhor por divina revelação em I Coríntios 11:23-29. (Isto foi porque Paulo não estava, obviamente, presente quando Cristo a instituiu.) Paulo inclui uma afirmação não encontrada nos Evangelhos: “Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor” (I Co 11:27-29). Podemos perguntar o que significa participar do pão e do cálice “indignamente”. Pode significar ignorar o verdadeiro significado do pão e do cálice, e se esquecer do tremendo preço que nosso Salvador pagou por nossa salvação. Ou pode significar permitir que a cerimônia se torne um ritual morto e formal, ou vir à Mesa com pecado não-confessado. Para guardar a instrução de Paulo, cada um deve examinar a si mesmo antes de comer do pão e beber do cálice, em observância ao aviso.

Outra afirmação de Paulo que não se encontra incluída nos Evangelhos é “Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha” (I Coríntios 11:26). Isto coloca um limite de tempo à cerimônia: até a volta de nosso Senhor. Através destes breves relatos aprendemos como Jesus usou dois dos mais perecíveis elementos como símbolos de Seu corpo e sangue, e os inaugurou como um monumento à Sua morte. Não foi um monumento de mármore esculpido ou latão moldado, mas de pão e suco de uva.

Ele declarou que o pão testemunhava de Seu corpo que seria partido: não houve sequer um osso partido, mas Seu corpo estava tão terrivelmente moído, que dificilmente se reconhecia (Sl 22:12-17; Is 53:4-7). O suco de uva testemunhava de Seu sangue, indicando a terrível morte que em breve experimentaria. Ele, o perfeito Filho de Deus, se tornou a realização de incontáveis profecias do Velho Testamento a respeito do Redentor (Gn 3:15, Sl 22, Is 53.). Quando Ele disse: “Fazei isto em memória de Mim”, indicou que esta era uma cerimônia a ter continuidade no futuro. Também indicou que a Páscoa, que exigia a morte de um cordeiro e vislumbrava a vinda do Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo, se fazia agora obsoleta. O “Novo Testamento” tomou seu lugar quando Cristo, o Cordeiro da Páscoa (I Coríntios 5:7), foi sacrificado (Hb 8:8-13). O sistema sacrificial não era mais necessário (Hb 9:25-28).



 I. Jesus nos ensinou  como proceder no ato da ceia do Senhor

Quatro textos registram os pormenores da primeira "Ceia do Senhor". Três destes relatos estão nos evangelhos (Mateus 26:26-29; Marcos 14:22-25 e Lucas 22:19-20) e o outro está em 1 Coríntios 11:23-26. Podemos aprender como Jesus e os apóstolos celebraram a ceia comparando estes relatos. Por favor, pare uns poucos minutos para ler cada uma destas quatro passagens, antes de continuar este estudo. Observe as minúcias:
O propósito: "Fazei isto em memória de mim" (Lucas 22:19). A Ceia do Senhor é nossa oportunidade para lembrar o sacrifício que Jesus fez na cruz, pelo qual ele nos oferece a esperança da vida eterna: "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice, anunciais a morte do Senhor, até que ele venha" (1 Co 11:26). A Ceia do Senhor não pretende ser um memorial do nascimento, da vida ou da ressurreição de Cristo. É um momento especial no qual os cristãos refletem sobre o Salvador sofredor para serem lembrados do alto preço que ele pagou por nossos pecados. Precisamos manter este tema central do evangelho (1 Co 2:1-2) em nossas mentes.
Os símbolos: Jesus usou dois símbolos para representar seu corpo e seu sangue. É claro que ele não ofereceu literalmente seu corpo (que ainda estava inteiro) nem seu sangue (que ainda estava correndo através de suas veias). Ele deu aos discípulos pão sem fermento para representar seu corpo e o fruto da videira (suco de uva) para representar o sangue que estava para ser derramado na cruz. Ele não deixou dúvida sobre a relação deste sacrifício com nossa salvação: "Porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão dos pecados" (Mt 26:28).
A ordem: Quando comparamos estes quatro relatos, podemos também ver a ordem na qual a ceia foi observada. Jesus primeiro orou para agradecer a Deus pelo pão e então todos o partilharam. Ele orou de novo para agradecer ao Senhor pelo cálice, e todos beberam dele. Deste modo, ele chamou especial atenção para cada elemento da ceia.
A Ceia do Senhor na Igreja Primitiva
O livro de Atos e as cartas escritas às igrejas nos ajudam a aprender um pouco mais sobre a Ceia do Senhor. Os discípulos se reuniam no primeiro dia da semana para participarem da ceia (At 20:7). Esta ceia era entendida como um ato de comunhão com o Senhor (1 Co 10:14-22). Era tomada quando toda a congregação se reunia, como um ato de fraternidade entre os irmãos (1 Co 11:17-20). Cada cristão era obrigado a examinar-se para ter certeza de que estava participando da ceia de um modo digno (1 Co 11:27-29).


II. As definições e características da ceia do Senhor

Ainda que o ensinamento da Bíblia sobre a Ceia do Senhor não seja complicado, muitas diferenças de entendimento apareceram depois do tempo do Novo Testamento. O único modo de sabermos que estamos seguindo o Senhor é estudar as instruções e imitar os exemplos que encontramos no Novo Testamento. Nunca estamos livres para ir além do que o Senhor revelou na Bíblia ( Cl 3:17; 1 Co 4:6 ; 2 Jo 9). Consideremos o que a Bíblia diz em resposta a algumas questões sobre a Ceia do Senhor.

1. Porque pão sem fermento?

 Jesus instituiu a ceia do Senhor durante os dias judaicos dos pães asmos, uma festa anual na qual somente pão sem fermento era permitido entre os judeus ( Lc 22:15; Êx 12:18-21). Podemos apreciar mais claramente o significado do pão sem fermento quando consideramos o significado simbólico do fermento na Bíblia. Não era permitido fermento nos sacrifícios oferecidos a Deus, no Velho Testamento (Lv 2:11). A idéia de impureza ou pecado é claramente associada com fermento em vários textos. Por exemplo, Jesus usou fermento para falar simbolicamente de falsas doutrinas (Mt 16:11-12). Paulo usou fermento para representar falsa doutrina e corrupção moral (Gl 5:7-9,13,16; 1 Co 5:6-9). É plenamente adequado, então, que o sacrifico perfeito e sem pecado do próprio Filho de Deus seja representado por pão sem fermento: "Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado. Por isso, celebramos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os asmos da sinceridade e da verdade"(1 Co 5:7-8).


2. Quando devemos observar a Ceia do Senhor?

Jesus mostrou aos seus discípulos como participar deste memorial, mas não especificou quando. Aprendemos quando os primeiros cristãos observaram a ceia pelo exemplo dos discípulos em Trôade: "No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão. . ." (Atos 20:7). Quando seguimos este exemplo e participamos da Ceia do Senhor todos os domingos, relembramos freqüentemente o sacrifício que Jesus fez por causa de nossos pecados. Quando meditamos sobre o Salvador sofredor no domingo, é mais fácil resistir a tentações durante o resto da semana. Quando entendemos o alto preço que Jesus pagou por nossos pecados, esforçamo-nos para evitar qualquer coisa que possa magoá-lo e tornar vão seu sacrifício (veja Hebreus 10:24-31).


3. Onde devemos participar da Ceia?

A Ceia do Senhor é um ato de comunhão entre cada cristão e o Senhor, e é também um ato de comunhão entre cristãos. Em Atos 20:7, os discípulos se reuniam para partir o pão. 1 Coríntios 11:20-22 distingue entre a Ceia do Senhor, que era o propósito de sua reunião como uma congregação, e as refeições comuns, que eram tomadas nas casas de cristãos. Não encontramos nenhuma autoridade na Bíblia para participar da Ceia do Senhor a sós ou fora da assembléia da igreja.

4. Quem tem o direito de tomar a Ceia do Senhor?

A Ceia do Senhor é um ato espiritual partilhado pelo Senhor com aqueles que estão em fraternidade com ele. Jesus não ofereceu o pão e o cálice a todos, mas aos seus discípulos (Mt 26:26). Aqueles que estão servindo ao Diabo não têm o direito de partilhar desta refeição com o Senhor (1 Co 10:16-22). João conta-nos que somos aptos a participar com Deus na comunhão espiritual somente se andarmos na luz do seu caminho: "Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma. Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade. Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado" (1 Jo 1:5-7). Somente aqueles que já foram batizados para a remissão dos pecados para entrar no corpo de Cristo devem participar da Ceia do Senhor (At 2:38; Gl 3:26-28).


5. O que significa participar "indignamente"?

Cada um que participa da Ceia do Senhor deverá examinar-se para estar certo de que está participando de maneira correta, discernindo o verdadeiro significado do memorial. "Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim, coma do pão e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si" (1 Co 11:27-29). A palavra "indignamente" é freqüentemente mal entendida. Ela não descreve a dignidade da pessoa (ninguém é verdadeiramente digno de comunhão com Cristo). Esta palavra descreve o modo de participar. A pessoa que não leva a sério esta comemoração está brincando com o sacrifício de Cristo e está se condenando por não discernir o corpo de Cristo. Por esta razão, devemos ser muito cuidadosos cada vez que participarmos da Ceia do Senhor. É imperativo que esqueçamos as preocupações mundanas e prestemos atenção exclusivamente à morte de Cristo. Se tratarmos a Ceia do Senhor como um mero ritual, ou se a tomarmos levianamente e deixarmos de meditar no seu significado, condenamo-nos diante de Deus.


III. A IMPORTÂNCIA DA CEIA NO PASSADO, PRESENTE E 

FUTURO

Além de celebrar a Páscoa, Jesus instituiu uma ordenança completamente nova: “A Ceia do Senhor” (I Co 11.23-26). Ela serviria como um conjunto de símbolos que relembrassem aos discípulos o corpo e sangue dados por eles e para seu livramento, até que Jesus retomasse. Seria também um sinal da Nova Aliança que ele inauguraria com seu sangue               (Mt 26.28; 1Co 11.24-26). A Ceia do Senhor em sua celebração pode ser caracterizada em três momentos distintos: passado, presente e futuro. Pontuemos:

1.1 Sua importância no passado. É um memorial da morte de Cristo no Calvário, para redimir os crentes do pecado e da condenação. Através de sua morte podemos obter a remissão de nossas falhas. É também um memorial, do grego “anamnesis”, pelos benefícios provenientes do sacrifício de Jesus Cristo; lembrando-nos da morte de Cristo no Calvário, para nos remir da condenação (1Co 11.24-26; Hb 8.7-13). “A Páscoa levou a nação de Israel a lembrar-se de sua redenção da servidão no Egito (Êx 12) na celebração da Ceia, as nossas mentes se voltam para o Calvário” (Lc 22.19).

1.2 Sua importância no presente (. A Santa Ceia expressa a nossa comunhão, do grego “koinonia”, com Cristo e, de nossa participação nos benefícios oriundos da sua morte sacrificial e ao mesmo tempo expressa a nossa comunhão com os demais membros do Corpo de Cristo (1 Co 10.16,17).

1.3 Sua importância no futuro. É um antegozo do Reino futuro de Deus e do banquete messiânico escatológico, quando então, todos os crentes estarão presentes com o Senhor (Mt 8.11, 22.1-14; Mc 14.25; Lc 13.29, 22.17, 18.30), pois a Santa Ceia é um ato que antevê a volta iminente de Cristo para arrebatar a sua Igreja e, uma antecipação da alegria que teremos em participarmos com Cristo, na Ceia das Bodas (Ap 19.7-9; Mt 26.29). Cada celebração da Ceia do Senhor Jesus traz consigo um sentimento de alegria com antecipação profética do banquete que virá



IV. A CEIA DO SENHOR E OS CONCEITOS TEOLÓGICOS

Os teólogos apontam  três pontos de vista a respeito  do que Paulo disse em (1Co 11.24). Vejamos detalhadamente estes conceitos:

Transubstanciação. É o conceito de que na ministração da Santa Ceia o pão e o vinho após a oração é transformado literalmente no próprio corpo e sangue de Jesus. Este conceito foi adotado pelos católicos em 1215 d.C. e depois reafirmado no Concilio de Trento em 1551 d.C.

Consubstanciação. Este outro conceito ensinado por Martinho Lutero mostra que: Cristo se une as substâncias do pão e do vinho, numa simbologia, porém os elementos do pão e do vinho estão presentes espiritualmente. Para este pensamento os elementos permanecem imutáveis.

Sacramentação. É um juramento ou um ato de purificação da alma. Porém quem pode nos purificar é o sangue de Jesus. (I Jo 1.6-7). É considerado  rito religioso.

Ordenação. Esse  termo na língua grega tem o  significado de regulamento ou uma ordem, forma de ordenar algo por alguém (Ef 2.15). Nós adotamos este conceito. É um rito simbólico  que põe em destaque as verdades centrais da fé cristã, e que é obrigação universal e pessoal. O batismo e a Ceia do Senhor são ritos que se tornaram ordenanças por ordem especifica de Cristo.  



 V.  AS BÊNÇÃOS E A SEGURANÇA PARA AQUELES QUE CELEBRAM A CEIA DO SENHOR

Quando a refeição pascal estava chegando ao fim (Mt 26.25; Lc 22.20), Jesus instituiu a ordenança que a Igreja chama de “Santa Ceia” , “Ceia do Senhor” (1Co 10.16; 1Co 11.20). Então, podemos assegurar que a Ceia nos proporciona:

2.1 Nossa genuína comunhão com Jesus Cristo. Ao participarmos da Ceia estamos anunciando a nossa comunhão com Cristo. Afinal, ao participar dela é que nós demonstramos e provamos esta comunhão (Jo 6.53–58). Ao celebrarmos participamos da alegria, da vida, dos sofrimentos e da Glória de Jesus Cristo (2Co 1.3-7; 1Pe 4.12-14)
2.2 Nossa participação nos benefícios provindos do Sacrifício de Jesus Cristo. Na participação do Corpo e do Sangue de Cristo, demonstramos (tanto internamente como externamente) que seriamente temos aceitado o Sacrifício de Cristo e, que pela fé, assim fazendo, estamos compartilhando de todos os benefícios oriundos daquEle Santo Sacrifício (Rm 3.24,25; 4.25; 5.6-21; 1 Cor 5.7; 10.16; Ef 1.5,7; 2.13; Cl 1.20; Hb 9-10; 1Pe 1.18-21; Ap 1.5).

2.3 Nossa comunhão com os demais membros do Corpo de Cristo. Primeiro é preciso termos comunhão com Cristo, a Cabeça do Corpo, mas também se faz necessário em ter comunhão como os demais membros do corpo de Cristo, a sua Igreja (At 2.42; Fp 1.22; Cl 1.18; 1Jo 1.7) compartilhando dos mesmos benefícios eternos (Jo 17.21; At 20.34-38; Rm 12.5,10-20; 1 Co 10.17; 12.12-27; Gl 3.28; Ef 4.13; 2Tm 2.3).

VI . A CEIA DO SENHOR E SUA CELEBRAÇÃO

O crente comprometido com a Palavra, sabe que deve participar da Ceia do Senhor pois é uma ordenança biblica (Mt 26.26; Mc 14.22); trazendo a memória a morte do Senhor (Lc 22.19; 1Co 11.24,25); confessando que, pelo sangue de Jesus, temos o perdão (Mt 26.28); tendo comunhão com Cristo e com os crentes (1Co 10.16,17); oferecendo gratidão e adoração (Ap 5.9,13,14) e para anunciar a volta do Senhor (1Co 11.26). Vejamos a importância desta celebração:

3.1 A ceia como um memorial. Lugar algum das Escrituras mencionam o pão e o vinho se tornando literalmente o corpo e o sangue do Senhor na hora em que o partilhamos. Pelo contrário, Jesus deixa claro o caráter simbólico do ato ao dizer: “fazei isto em memória de mim” (1Co 11.25). A ceia do Senhor é um momento de recordação do que ele fez por nós ao morrer na cruz para a remissão dos nossos pecados. 

3.2 A ceia como um ritual de aliança. Para os judeus, o pão e vinho faziam parte de um ritual de aliança de sangue (Gn 14.18). Ao contrair uma aliança deste nível, as duas partes estavam declarando que misturavam suas vidas e tudo o que era de um passava a ser de outro e vice-versa; por isso Jesus declarou na ceia que o cálice era a “aliança no seu sangue”, fazendo um ritual de aliança (1Co 6.17; Jo 6.53-56)

3.3 A ceia como um ritual de comunhão. No tempo apostólico as ceias eram também chamadas de “ágapes” ou “festas de amor” (Jd 12), o que reflete parte de seu propósito. As ênfases na expressão “corpo” que encontramos no ensino bíblico da ceia, reflete esta visão de unidade e comunhão. A mesa é um lugar de comunhão em praticamente quase todas as culturas e épocas, e a mesa do Senhor não deixa de ter também esta característica
3.4 A ceia como um ritual de consequências espirituais. Participar da mesa do Senhor tem conseqüências espirituais; ou o cristão é abençoado ou é alvo do juízo (1Co 11.27-32). A Ceia do Senhor será sempre um momento de benção ou de maldição para os que dela participam (1Co 10.16). A Ceia traz bênçãos espirituais sobre aqueles que dela participam. A Bíblia não usa especificamente esta palavra, mas mostra que um castigo pode vir como um juízo de Deus para quem O desonra (1Co 11.27-32). Todavia, é preciso destacar que a obra redentora de Cristo também nos proporciona cura física, e na Ceia é um momento onde podemos provar a benção da saúde a da cura (Is 53.4,5).



VII. UM ATO DE CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS

Na epístola de Paulo aos coríntios, fica claro que a Ceia do Senhor tem consequências espirituais; ela será sempre um momento de benção ou de maldição para os que dela participam.

BENÇÃO

“Porventura o cálice da benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Coríntios 10.16)
Observe o termo “cálice da benção”. Isto não é figurado, é real. A Ceia do Senhor traz bênçãos espirituais sobre aqueles que dela participam.
Um outro termo empregado neste versículo, que nos revela algo importante, é “comunhão”; quando ceamos, estamos pela fé acionando um poderoso princípio, temos comunhão com o sangue e com o corpo de Cristo! O que isto significa? Quando derramou seu sangue, Jesus o fez para a remissão de nossos pecados, logo, ao comungarmos o sangue, estamos provando que tipo de bênçãos? A purificação, e também a proteção, pois o diabo não pode transpor o poder do sangue para nos tocar (Ex 12.23, Ap 12.12).
E o que significa ter comunhão com o corpo? O corpo de Jesus foi moído porque ele tomou sobre si nossas enfermidades, e as nossas dores carregou sobre si, e pelas suas feridas fomos sarados (Is 53.4,5). A obra redentora de Cristo nos proporciona cura física, e na Ceia do Senhor é um momento onde podemos provar a benção da saúde a da cura. Muitos estavam fracos e doentes na igreja de Corinto por não discernirem o corpo do Senhor na Ceia.
Ao falar sobre comungarem com o corpo do Senhor, Paulo se referia não apenas ao corpo do Cristo crucificado por meio do qual somos sarados, mas também ao corpo ressurreto, no qual habita toda a plenitude da divindade e é fonte de vida aos que com ele comungam.
A Ceia do Senhor deve ser um momento especial de comunhão, reflexão, devoção, fé, e adoração. Tudo deve ser feito de coração e com reverência, pois é um ato de conseqüências espirituais.

MALDIÇÃO

A Bíblia não usa especificamente esta palavra, mas mostra que a maldição pode vir como um juízo de Deus para quem desonra a Ceia do Senhor. Depois de ter dito que ao participar da mesa do Senhor a pessoa está anunciando a morte de Jesus até que ele venha, Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, traz a seguinte advertência:
“Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice, pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão porque há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.” (1 Coríntios 11.27-32)
Para muitas pessoas, a Ceia é algo que as amedronta; preferem não participar dela quando não se sentem dignas, para não serem julgadas. Mas veja que a Bíblia não nos manda deixar de tomar, e sim fazer um auto-exame antes, pois se houver necessidade de acerto devemos fazê-lo o mais depressa possível (1 Jo 1.9).
Deixar de participar da mesa do Senhor é desonrá-la também! Devemos ansiar pelo momento em que dela partilharemos, e não evitá-la. Mas há aqueles que querem fingir que estão bem, e participam sem escrúpulo algum do que é sagrado; para estes, não tardará o juízo.
Participar da mesa do Senhor tem conseqüências espirituais; ou o cristão é abençoado ou é amaldiçoado. Não há meio termo; a refeição não é apenas um simbolismo; não se participa da Ceia do Senhor como se participa de uma cerimônia qualquer, pois é um momento santificado por Deus e de implicações no reino espiritual. Deus é grandioso, depois dessa atitude ele senta e começa a explicar o que houve, creio que estavam todos pasmos e paralisados com tal feito do mestre. Ele sendo mestre lavou os pés dos seus irmão e nós hoje devemos fazer da mesma forma pois o último versículo é sensacional, vejamos novamente: Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes, creio não precisar falar mais nada sobre o mestre, nós como bons discípulos devemos fazer da mesma maneira.

Concluímos que o pão da Ceia deve ser especial diferenciado do mundo, pois Cristo foi diferente, não podemos simplesmente ir à padaria e comprar qualquer pão ou o mais bonito, precisamos ter essa atenção para não pecarmos contra Deus, pois Ele diz: Fazei isto em memória de mim, então querido tirem o pão doce e sovado da sua Ceia pois não foi isso instituído por Cristo.

          A Santa Ceia é um convite para o pecador morrer cada vez mais para o pecado e viver cada vez mais para Cristo.
         “Estou crucificado com Cristo, e já não vivo, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2.20)



A Ceia do Senhor: Passado, Presente e Futuro. Os discípulos de Cristo são privilegiados ao participarem com ele da Ceia do Senhor. Deste modo, ligamos o passado, o presente e o futuro. Passado: Olhamos para trás, para o sacrifício que Jesus fez na cruz. Entendemos isto como sendo o fundamento e o centro de nossa salvação. Presente: Quando meditamos no terrível preço que Jesus pagou para nos redimir de nosso pecado, nossa decisão de resistir à tentação é fortalecida. Futuro: Entendemos que a morte de Jesus é a base de nossa esperança, e assim proclamamos nossa fé nele quando olhamos em frente para a volta do Senhor e para nossa salvação eterna.